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Acho que vou sentir muita falta do cavalinho amarelo... nesta minha viagem... Por que vc não vem, cavalinho?? deixe-me sem terra... deixe-me apenas mar, e não volta... não me enraize ainda... talvez nem vá atrás da coruja... quem sabe é o sol que eu procuro...
(cavalinho nada diz, deixa jokasta se afastar, deita sobre as patas, apoiando a cara cumprida nas dianteiras, certo de que está em seu lugar e Jokasta no dela)
Elaine Pauvolid 2:42 PM
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Elaine Pauvolid 2:09 PM
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horas vagas preciosas
que não deixam nossas almas preguiçosas...
(jokasta entra cantando num barco enorme de velas ao contrário)
horas vagas preciosas
que não deixam nossas almas preguiçosas...
Eu agora tenho um barco. Sim, um barco. Ele tem uma vela horizontal. não segura os ventos. ela serve apenas contra a chuva. e no meu barco há uma foice. Será meu barco um barco de morte? Eu não me importo que seja um barco de morte. Morte ou vida, os dois lados da mesma lida. Não em importo em morrer porque nunca existi. sou apenas um reflexo. Uma marca, uma sombra... talvez momentânea, talvez diuturna. diuturna parece tanto com diurna. a minha baleia, a que carrega o meu barco, tanto é diuturna quanto diurna. a língua tem tantos universos... nunca diz a mesma coisa ou a unica coisa... a língua nunca diz tudo. é uma pista a língua.
Minha baleia me leva onde ela quer. E parece que por cima sou eu quem levo... ora, ora, como poderia levar um barco cuja vela insufla para cima?
_ Jokasta, Jokasta...
_ E para onde vai encima de sua baleia?
_ Cavalinho, venha também... Suba no meu barco...
_ Eu não posso. Eu não sou aquático...
_ Muito menos eu...
_ Eu preciso ficar em terra, Jokasta... eu preciso estar aqui por você.
_ Então eu vou, cavalinho... vou procurar a coruja... preciso muito dela...
_deixa-a em paz... não vai ser no mar, andando durante os dias cinzentos que há de encontrar o pio típico da coruja azulada...
_ vou para outras terras...
_ para que segue as corujas?
_ eu preciso ter o que seguir... e são tão lindas...
_ Não vá, Jokasta. Não vá! É vão!
_ É vão, eu vou.
Elaine Pauvolid 1:31 AM
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Não sei que parte do mundo vi primeiro,nem qual vestígio que se fez real. Estou incrustrada de ostras. Farol do meu próprio caminho e também o navio, cujo instinto reto é seguir. Atrás de mim, um diptico. Abaixo , minha verdade, a baleia diuturna.
Elaine Pauvolid 12:21 PM
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E você ainda me pergunta por que tenho 13 anos e vivo numa ilha...
A coruja
Para Anderson Fonseca
Não se despregue sobre os montes
nem tenha dó de não ser.
Aprenda com a coruja,
que vive no teto de sua casa,
de sua caverna sem lhe pedir perdão.
Ela enterra seus ovos no chão.
Os ossos são como ovos ao contrário
os ossos não quebrarão facilmente...
A coruja não está te olhando, não.
Nasceu com aqueles olhos
sabe-se lá por que motivo interligado aos bichos.
a coruja habita minha casa
a coruja me avisa
a coruja me desfaz das asas.
Elaine Pauvolid 3:07 AM
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É preciso retomar.
Não, não é preciso.
Talvez nada seja tão preciso quanto a escolha.
É precioso retomar.
No meu caso específico, escolho o retorno
Em busca de raízes que me prendam cá
isso é óbvio
mas preciso dizer
sim, ainda digo de mim
ainda estou aqui.
E a coruja apareceu mais uma vez. Começo a entender sua presença, e por isso mesmo me desentendo.
É azulada a minha coruja. A minha coruja que não é minha. E pia. O pio típico da coruja azulada.
Nada pode ser mais ela do que um pincel sobre a tela.
Ela, ela, ou o pio típico da coruja azulada.
Pois ela me trouxe o dragão ou, antes dela, o dragão? Que é o tempo senão a escolha?
A escolha de que vem primeiro, a copa ou a raiz.
Porque as árvores são figuras importantíssimas desta história.
Porque as árvores nunca serão mudas.
Elaine Pauvolid 8:40 PM
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a ponta do lápis surgiu para mim como uma lança. detive-me sobre ela alguns minutos de esperança. Já tentei isso muitas vezes e nunca consegui. Sim, eu estou aqui. Mas não estou além de mim. Não, ainda estou presa aqui. Talvez ninguém me leia ou um grupo creia. Não, Não eu não estou ainda além de mim. Ponto. Clareia.
Elaine Pauvolid 7:14 PM