não há dor maior que a noite
porque não há dom maior
nem pior
não há
e por isso estamos
poderia escrever isso mil anos
e passar o tempo enquanto
por ora, canto
do alto de uma árvore

Quem vem lá?
diga se é de paz e bem!
quem vem lá?
quem vem lá?
É só o eco de alguém...
deixe-me apear meu cavalo
e passar a mão na testa
olhar o lago
depois voltar-me


______________


olá, dona coruja
por que chora?
ou não chora?
por que cala?
ou não cala?
por que faço?
o que faço?
por que não morro?
por que morro?
por que estou
e não estou?
seu filho, dona coruja, quem levou?
não chore, não chore
já passou.

______
que tempo era aquele que as vozes esconderam?
_____


Respostas até agora:

No caminho, buracos.
Ou seria melhor dizer:
mil buracos pelo caminho?

elaine pauvolid


O medo de nada

Quem consegue enfrentar o nada e o silêncio
sendo silêncio nem um pouco o nada
o nada o silêncio mais um pouco som?
Quem consegue enfrentar a inércia com o sopro do mundo
gritando vida em tudo?
Procuro em mim quem me faça
eu, a covarde
que do nada evito o toque.

O silêncio é um grito em mim.
Permaneço inerte, temendo abismos
que me parecem a melhor metáfora do nada.
Os monges parecem saber lidar com o nada e com silêncios.
Eu desvio meu olhar
procuro a mão do monge enquanto durar.


Elaine Pauvolid

Respostas até agora:

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