Respostas até agora:
Nós
mais uma vez
agarre a ponta de sua linha
tente forjar seu nó
mais uma vez
não tente atá-lo
mais uma vez
que os seres inanimados não escolhem.
Aguardam ou guardam
silêncios e ruídos que também são nossos.
Dói tanto ser luz
dói ser sombra
dói tanto ser azul
dói tanto ser brasileira
dói ser feliz
dói ser rejeitada
dói ser amada
dói agulha injetada
dói ser bastarda
dói tanto ser filha
dói alguém doendo
dói que dor náo é dor.
Aos olhos cegos da coruja
os olhos cegos da coruja
carregam-me em sua sombra
nunca tive uma ave coruja
talvez por isso me siga.
tive cães, gatos, outros pássaros e flores
nunca a coruja cega.
E ainda assim dói em mim a falta de luz
este cuoco sem relógio
Meu galo sem manhã.
A coruja, meu lado cego
de onde penso
a total falta de espelho
me olha.
Isso não é uma voz
é o silêncio fantasiado
falando comigo e contigo.
Quer ?
um caminho é silêncio
gente não vive só de posturas
nem o silêncio é só volátil
o tempo também, não
o vento não tem nada a ver com isso
e sussurra e, portanto,
conhece bem o silêncio.
o medo, muitas vezes, também
desaparece nesses casos.
Não é?
Après Merleau Ponty: O traço do avesso/ depois o pensamento/ - não direi eu vejo,/ nem eu penso.
A dor
o olho
a morte
Odor
A dor
o olho
a morte
Odor
Poema: quando alguém põe uma resposta a acontecer e não diz não
Não tinha a menor noção do medo, nem da angústia. Ainda no aleatório da vida
não se tinha posto de frente a pessoas, não más, mas abrutalhadas pela vida e de
comportamento dúbio, onde ele só podia enxergar por meio de seus próprios conceitos.
Talvez fossem os dele também tão dúbios, tão forjados estranhamente, ou talvez
começasse a aparecer seus próprios dentes.
Almas e corpos
o corpo não cabe na alma
nem a alma, no corpo.
Estão tão magros
da alma e do corpo
a alma e o corpo...
se as costas fraquejam,
os pés latejam
se a fronte, rija
se a roupa não combina
a alma assiste de cima
ou ao lado
nunca abaixo.
A alma é tão rara
nós, ralos nestes corpos
até estarmos mortos
e nossas almas virarem corpos,
quando descobri não só poesia minha vida
expulsa não fui da lira
a ferida vi espargir mil versos
Jokasta 8:38 PM