Respostas até agora:

cada vez tenho menos idéia de quem eu seja
ainda que isso que eu faço se torne uma certeza
não me contento com ela
todos os dias passam a ser sempre os primeiros de uma série
a ser desenvolvida
cujos sentidos precisam se buscados
e eu sempre me esqueço: que eu já tentei
já tentei, já tentei
e o fio nunca acho
ainda se eu soubesse que para todo mundo seja assim
será que isso me bastaria?


Respostas até agora:

Doeu-lhe chegar à ponta do mar. e chegou. O que a ponta quer dizer somente diz o que já passou. e ainda assim é difícil enxergar as ondas que nunca chegam. jamais chegarão e por isso mesmo sempre stiveram presentes.sim, o paraíso é um artíficio para continuarmos vivendo. continuarmos sempre. afinal o acidente sempre está entre nós. e olhando. e olhando. nós atrás dos arbustos. nós sempre chegando e acenando. não adianta pensar em Deus agora porque ele sempre esteve lá. não cabe a pergunta se ele existe ou não. ele está.

a filosofia nunca vai te responder a verdade. mas também nunca te deixará sem resposta. não há desculpas para não prosseguir cantando. porque como ainda ecoa como da primeira vez um de nós povo brasileiro: " eu preciso cantar" ! nós precisamos cantar ? ou será sempre só o poeta ? e se deixar de lado a questão de deus, que será o poeta ? que é o artista? meu deus, porque estamos sempre desde sempre uvi dizer, rabiscando paredes, deixando sinais. para quem ?

os sentidos eram todos provisórios e as questões se resumiam numa só. a equacionável resposta do adeus e da chegada. sempre a mesma morada e nós chegando.



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o que mais me constrange no silêncio são seus sons


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o erro é a parte da existência mais exata


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o mundo não gera danos


Respostas até agora:

-Dona Coruja, que prazer vê-la aqui!!!! Há tempos que não nos víamos!!!

_sim, desde o dia que vc me expulsou de seu teto. do teto de sua caverna...

_ mas, isso foi há muito tempo... no tempo que eu ainda tentava prender os pirilampos...

_ e vc já não os prende?

_ não, senhora, não senhora... eu acabei descobrindo que quem vive presa sou eu...

_ presa? vc? onde e por quem?

- estou presa na minha existência

- bem, e quem não está, dona Jokasta?

_ muita gente. muita gente de verdade, as que não existem, as que são apenas rastros...A senhora está
querendo me dizer que eu existo mais do a minha autora

_ certamente...

_ ora, ora, mas, então é isso...




Respostas até agora:

Na minha ilha há a possibilidade do eu morro...
Sim, Jokasta, do eu morro , eu morro, eu morro...
tantas vezes vc deverá dizer isso:
eu morro, eu morro eu morro.
Não vê que isso não há de levar vc a canto algum?
seria bem melhor gritar a plenos pulmões:
na minha ilha há a possiblidade do eu vivo, eu vivo, eu vivo , eu vivo...

Isso é coisa à toa

Coisa à toa é morrer

o difícil, o difícil mesmo é viver
manter-se vivo
não a sobrevida do covarde que vive no eu morro, do que não está lá nem cá, do que apenas sobre o muro da vergonha diz:
mate o leão. não, não, não, isso não. o vivo mesmo é aquele que grita:
eu vejo, eu vejo, eu vejo...



Cavalinho, venha ver o mar!!!!!!


Respostas até agora:

Na minha ilha há a possibidade da morte. Do eu morro.
O cidadão decide morrer e o faz. Temos um sistema bem elaborado para isso. O vale chama-se o vale da morte, claro.
A pessoa pode se dirigir para lá e ser morta. Atravessando a fronteira que separa os vivos dos mortos, sua cabeça
é automaticamente guilhotinada. É muito rápido. Dizem, indolor. O estranho, o bizarro é que muita gente se
beneficia com sua morte. Então, aqui em minha terra, existe uma indústria que o incentiva a morrer. A morte gera vidas.
Há campanhas publicitárias e oferecimento de vantagens. Este mercado gira em torno principalmente dos órgãos frescos
que são reaproveitados em transplantes de todas as partes do organismo que ame viver.

Também os doentes têm seu público, porque seu corpo pútrido é utilizado para o avanço das pesquisas farmacêuticas e
de práticas médicas. Muitos corpos também são utilizados para estudos unirversitários nos curso de anotomia. Como você
pode ver, minha ilha não é tão desabitada assim. Atualmente, um dos mairoes avanços na medicina local tem sido na área
da farmacologia e da terapêutica da dor. Da eliminação da dor. A decaptação é feita de tal modo preciso e eficaz que
a prática indolor tem sido aliada a uma sensação muito próxima da do gozo místico e do gozo sexual.

Assim, na minha ilha não há pessoas vivas que gostariam de estar mortas. Existem sim muitos mortos que talvez não
quisessem ter morrido. Mas, devem ser poucos. Porque aqui viver é um sacrifício muito maior do que morrer. Mas, quem
está vivo eé por vontade. Não há nenhum zumbi. Todos os vivos querem estar vivos. Isso é muito claro aqui.



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_ Jokasta, que história foi aquela lá ?

_ Qual ?

_ Vc sabe.

_ Vc está falando do vale da morte?

_ eu estou falando daquilo que vc pintou na caverna. a sua imaginação está muito fértil.

_ obrigada.

_ mas, o que vão dizer os que vierem depois de nós e lerem aquilo?

_ ué, vão dizer que aqui só estava vivo quem quisesse.

_ mas, isso é mentira. aqui não tem escolha. ou se vive ou se morre. e só. não existe nada daquilo que vc escreveu. não somos suicidas.

_ ...
_ Por que vc escreveu aquilo ?

_ porque viver pode não dar certo

_ e quem vai saber?

_eu quero saber.

_ mas, vc não sabe.
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