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O que se faz quando o silêncio brota cor de rosa?
Cor de rosa... Não, o silêncio não tem a cor da rosa. que rosa? o silêncio
não tem cor, talvez até tenha uma cor, uma cor de flics. O silêncio é flics.
eu lembro disso. minha mãe me ensinando a cor que não era cor e que era cor.
eu lembro, lembro bem, foi meu primeiro contato com o abstrato. e a seriedade
de minha mãe explicando o que era flics em minha alma foi ficando, de tal forma
sedimentando que meu mundo é gigante.
ela explicou séria, talvez mais séria de que quando questionada sobre o sexo dos seus anjos...
eu perguntei: mãe, flics, o que é uma cor flics, qual a cor flics...? ela sentou-se e falou
uma cor flics não é marrom, nem é verde, uma cor flics é e não é uma cor. uma cor flics
é a ausência de cor na presença da cor, é ver uma cor e não ter nome para dizê-la e
mesmo assim ela não ser cinzenta. é o que traz uma coisa que a gente sabe mais não tem
palavras... Ela disse sim isso para mim quando eu vi a peça do Ziraldo, aquele mágico, e
fiquei intrigada como o flics... ela não usou estas palavras, com certeza, mas estas palavras
são o que de mim traduzem o que minha mãe me disse tentando traduzir o que ziraldo descobriu
ao falar de uma cor para dizer do abstrato...
Não acho que é sem motivo que me tornei uma obcecada pela arte... com certeza não é sem
motivos... parece-me tive motivos de sobrar para isso...
_Engraçado, Cavalinho... Nossa autora agora faz confidências e nos esquece...
_ Não, não nos esquece... É puxando pelo fio de sua memória que ela nos tece...
_ Você também gosta de poesia? vc também faz versos?
_ se versos ainda faço é porque nunca morri
_ vc vive morrendo através do tempo
_ não, eu não durmo
_dorme sim
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será mesmo o silêncio deus
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Jokasta 12:14 PM
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_ Acho mesmo, Cavalinho, que nós sempre estivemos aqui...
_ Sim. Nós estamos aqui.
_ Antes de nossa autora...
_ Antes de nossa autora, não.
_ Nós sempre estivemos aqui. Antes de nossa autora!!!
_ Não, Jokasta. Antes dela nós não estávamos aqui...
_ Aqui onde, Cavalinho? Onde nós estamos?
_ Ora, Jokasta... Isso não leva a nada...
_ Este tipo de indagação não leva a nada?
_ Não, não leva. São só palavras. Aqui não se define. Aqui é lá, é sempre, aqui
é onde sempre estivemos. Sempre estivemos aqui.
_ (...)
_ Mas, não foi isso que vc quis dizer...
_ Pode não ter sido exatamente isso, mas, vc acabou por me convencer de que
o que eu disse não eram só palavras. Nós realmente sempre estivemos aqui.
_ Ora, Jokasta, que seja assim...
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Jokasta 6:31 PM
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A solidão é o único estado que conheço
a companhia é sempre bem-vinda, no entanto
aguardo lembranças
_ Jokasta, vc acha mesmo que isso vai comover seus leitores...?
_ não sei... mas, isso não fui eu quem escreveu
_ sei...
_ vc acha mesmo que sou eu a autora...?
_ e quem mais seria?
_ Ora, a mulher que está escrevendo...
_ escrevendo...?
_ não se faça de bobo. vc como eu, é um personagem...
_Jokasta , Jokasta, vc realmente tem muita imaginação...
_Cavalinho...
_ Sim ?
_ Ninguém vem mais aqui...
_ É que a autora andou sem tempo. Não atualizou...As pessoas desistem...
_Mas, isso é injusto... E nós, que vai ser de nós?
_ Ué, nós estamos aqui, não é? Neste exato momento estamos aqui... Ou não estamos?
_Acho que sempre estivemos...
Jokasta 8:53 PM
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Palavra sopa
A palavra não deve ser útil ao poeta
que precisa da palavra
maçã não deve ser usada para dizer maçã
areia muito menos areia
Pedra jamais pedra
A palavra desnudada
talvez, quem sabe, uma lata de sopa
a palavra roupa não pode
não deve estar dizendo roupa
a palavra cadáver pode ser morte
que a palavra morte, não pode
No entanto, no processo de descascar a palavra
o poeta precisa entender
o palavra poderia dizer
se fosse uma lata de sopa
a palavra quando descascada poderá tornar-se
novamente utensílio e berrar
no berro que a palavra conta
o poeta há de saber escutar o que desconta
e recusará ver para muito além da própria palavra e suas cascas
terá que se situar num lugar para além da palavra casca
e também da palavra cerne, miolo, verdade
o poeta, meus amigos, precisa estar num lugar muito específico
num lugar em que ele possa ver a palavra
mas que seja um lugar também
em que a palavra não o possa ver
Elaine Pauvolid
Jokasta 9:22 PM
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A vida é só um pretexto até agora
elaine pauvolid
Jokasta 8:41 PM
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Eu não sou forte
não sou mais que posso
Eu não possuo quase nada
que não seja minha parte
Eu não sou forte
não sou mais que posso
e não possuo quase nada
que não me seja parte.
a palavra tem um gesto de língua que transpassa o céu da boca
se você pega um caminho solitário
não volta
um ser de silêncio pousou seus olhos em mim
gostaria de estar em todos os lugares
em cada quarto onde alguém morre
e em cada canto onde o sol nasce
nunca vi o mundo pelas costas e no entanto nada está tão implícito
nunca o nada pelas costas e nada tão explícito
Jokasta 5:13 PM
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a solidão tem coisas que a gente só sabe depois que morre
Nem todos querem um lugar ao sol
há os que prefiram a sombra
elaine pauvolid
quando comecei a escreverr, minha escrita era quase um desabafo. Depois foi se tornando intriga quase de morte
O mundo não é uma ilha
Jokasta 4:34 PM
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Silêncio, acorde mudo.
Silêncio, acorde mudo!!!!!
Elaine Pauvolid
Jokasta 2:21 PM
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Tenho a íntima impressão do medo. O medo sólido. Talvez se eu o utilizasse como a um cavalo... Se eu pudesse subir em seu dorso e seguir... Mas, como domá-lo? Como domar o agudo do medo? Não sou eu quem vagueia, é a sombra.
Parece mesmo medo de ver a cara bisonha. Não, não pode ser tão inocente. É medo de sucumbir. De não ter forças suficientes para resistir. Medo de desaparecer, de ser destruída. Perguntar-me-ia: destruída por quê, ou por quem? Será que você faria a mesma pergunta? Será que você me entende quando falo do medo? Não seria este medo que nos une? Ou será que não vê perigo? Você vê? Um mestre budista vai me dizer: não tema você é parte do medo, você não está com medo, o medo está em você... Mas, senhor mestre budista, o senhor realmente não sente medo?
_ Há, há, há, há, há, há...(!!!) (O mestre budista)
O mundo nunca chega, ele passa.
Jokasta 10:44 AM
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O barulho do silêncio
O que diz um instrumento mudo?
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O mundo não se alimenta de vento
o vento que se alimenta de tudo
O que diz um silêncio mudo?
Jokasta 10:26 AM
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quem acha que é
Jokasta 12:05 PM
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(Olá, que bom que veio! Sempre sinto sua falta. E quanto mais
me falta mais me encho de minha presença. Torno-me assim um balão.
E continuo acenando lá de cima. Está vendo?Não sei até quando isso vai parar.
talvez até você chegar para ficar. eu prefiro esperar)
é preciso primeiro ouvir a segunda vez para começar a ouvir de fato.
o que ouvimos na segunda vez se favorece pela memória da primeira.
elaine pauvolid
a partir de Proust...
Aliás, sempre a partir de Proust...
As melhores dicas virão depois
esteja sempre certo disso
Elaine Pauvolid
Jokasta 11:45 AM