Quinta-feira, Julho 26, 2007

 
Olá! Vocês sabem que minha autora é escritora, não é? Ela escreve contos.
Também algumas poesias como vcs já puderam ver e até alguns quadros
ela escreve. Hoje ela me mostrou um conto e me pediu para colocar aqui, para
que vcs lêssem. Eu então vou colar o conto aqui e vcs podem comentar se quiserem.





Menino Blue

Elaine Pauvolid

Não havia motivos para ninguém chorar. Não havia motivos para ninguém chorar. No entanto ele debulhava-se em copiosas lágrimas. Dor aguda no peito nu. Um peito nu. Ele tinha o peito nu e debulhava-se em copiosas lágrimas.

O peito estava nu e ninguém chorava. Ele pegou sua caixa de chicletes e tentou mais uma vez vã. Ninguém queria saber de chicletes naquela tarde de chuva. Pouco lhes importava se ele iria apanhar mais uma vez e padecer de febre à noite toda. Pouco lhes importava se ele não tinha coragem de fugir. Que ele não era homem suficiente para enfrentar a rua, pior que qualquer chuvinha daquelas. A chuva era o de menos, meus senhores. A chuva era realmente o de menos, meus queridos senhores.

Respirou fundo e continuou a implorar que comprassem seus chicletes. Ela viu tudo, entendeu absolutamente e mesmo assim passou ao seu lado rápida para pegar o metrô. Não podia fazer nada por mais aquele. Tantos havia pelas ruas, que não poderia se dar ao luxo de parar e lhe secar as lágrimas.

Chore, meu menino, chore... Não adianta chorar, hoje o dia não me parece bom para chicletes. Você tem certeza que suas lágrimas são azuis? Toque no meu rosto e sinta a minha pele amarela. Sim, eu paro e você me diz quanta vida é preciso ter no peito nu para reclamar por ela aos transeuntes... Chore meu menino blue que sua canção me faz chorar a minha.
Elaine Pauvolid

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quando alguém põe uma resposta a acontecer
e não diz não
ouve um hálito de coragem e afeição

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Cavalinho, agora que está tudo silencioso, vc gostaria de dizer alguma coisa?

_ (...)

Vamos, cavalinho, diga alguma coisa para as pessoas que estão aqui...

_ (...)

Sim, pode não haver ninguém nos lendo...

_ Ué , não foi vc que falou que a leitura das pessoas é que nos daria existência ?

Ora, isso foi antes... Isso foi muito antes...

_ Antes de quê?

Antes do verbo

_ No princípio era o verbo ?

Não, não é só isso

-Só!?

( cavalinho rindo da petulância de Jokasta)

Sim, só... antes precisavam ler... ao menos um precisava ler... agora que lida,
viva.

_ Vivos?

Sim, vivos...

_ E agora?

Pois, é: agora não sei.


Eu não havia dito a vcs, mas, na minha ilha, há um imenso farol!
Quem acha? -
 
tudo que o mundo precisa é que vc o aceite
Quem acha? -
 
não é possível a poesia com o barulho ;;;a poesia não se manifesta no estrondo;;; o estrondo não é e nunca será poético;; a guerra é a anti-poesia;; a epifania também não é um poema ;;; nem o grito, um poema;; o poema é o hiato, o halo; tudo que restar quieto
Quem acha? -
 
não há ninguém na rua nem nos apartamentos;; não há ninguém recebendo notícias;;; não há ninguém esperando alguém;;; não há ninguém para contar isso
Quem acha? -
 
o barulho da água, o ruído dos sapatos no assoalho, a razão do silêncio, o concreto armado, as folhas perturbadas pelo vento, e já não é preciso dizer mais nada


Quem acha? -
 

não é possível a poesia
o silêncio é a poesia
e não se pode escrevê-lo senão berrando
o poeta deverá ser mudo
seu silêncio abissal
seus ouvidos é que escutarão
e já não poderá fazer mais nada por nós.
Quem acha? -
 
o mundo não descansa enquanto dorme


Há coisas que não se medem com espátulas
Quem acha? -

Domingo, Julho 22, 2007

 
o velho portal da noite
aguarda alguém insone
alguém que sofra do mundo
e que ainda saiba respirar
não, meu amigo, não comemos criancinhas
somos inofensivos
fechem as vidraças as tia velhas
e seus sobrinhos gordos não se contaminarão
vem lá a poesia feita de silêncios e feridas
perguntas não respondidas
e a palavra dita baixo: desgraça
desgraça, desgraça, desgraça
Quem acha? -

Sexta-feira, Julho 20, 2007

 


morrer é tão sem sentido quanto estar vivo



Quem acha? -

Domingo, Julho 15, 2007

 
Arrumando gavetas



Alguém morreu
e nem me disse Adeus...





A fé é feita de turbulências


Tenho medo de mais tarde vir cobrar das pessoas o amor que não soube dar a mim mesma
por isso procuro arrumar minhas gavetas

tenho medo de tornar-me aquele senhor que um dia parou o rapaz na rua e disse:
dê graças por sua vida, meu jovem, aproveite a sua vida...
tenho medo de um dia ter que encorajar os outros a viver a vida que não vivi
por isso pretendo ir arrumando minhas gavetas
enquanto isso um corvo me assusta
dizendo
Lenore never more
Lenore never more

tenho meus espantalhos...
e nada disso é o suficiente
nada disso irá me impedir de olhar para trás...

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Quem acha? -

Sexta-feira, Julho 13, 2007

 

cansei de falar da dor
todo mundo a sente
todo mundo sabe
então falar de quê, agora que sei ;;;;


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A mochila nas costas, Heimatlos
a água salgando as raízes
as mesmas que carrego nos dentes
a procura pela garrafa com a carta
a espera pelo resgate
o caminho sob os pés que se recusam
a aceitar o óbvio destino
mas, quem aceitaria;;;;

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pela primeira vez vi meu filho e minha filha
eles nunca se mostraram para mim
no entanto, os vi
numa loja de roupas para crianças
como foi possível estarem ali, eu não sei
sei que não os tive, e talvez nem os tenha
não senti tristeza nem inveja das outras mães
fiquei muito feliz de os poder encontrar
ainda que eles de fato não existam
foi um grande presente.


Quem acha? -

este blog é segredo

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