Terça-feira, Junho 26, 2007

 

Não falo sobre o óbvio porque o óbvio não me assalta
elaine pauvolid

Ah, sim, o meu cartão:


Quem acha? -

Sábado, Junho 23, 2007

 




Não sei o que é pior
Se é a solidão de uma casa cheia
Ou o eco da música brega numa estrada inabitada
Não sei mesmo o que me dói mais
Nem o que prefiro dolorir
Sei que, de uma forma ou de outra, eu sofro
E a felicidade de que tantos falam
É mesmo este meu estado
De perceber que vivo.

Elaine Pauvolid


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Sol-e-dó ou Roda, baleiro, atenção

Não me dói a dor
Em si o desamor me dói
onde estará a dor
Senão em si, no que me dói ?
Em mim, em sol, na mó
O sol da dor: ro-rós, ro-rós, ro-rós, ro-rós...
Em mim a dor me dói
o ronronar após
de um sol a sol de nós.


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Não faço versos pare este ou para aquele
faço verso para aquilo, para isso
para um gesto, para uma semente
para uma intenção
para uma história que se fez
faço versos para entender
e desenteder o que parece explícito
sim, faço versos somente para isso.


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Sussurro

Enquanto espero notícias suas é que perecebo que não nasci pra isso...
Não nasci para esperar, nasci para procurar
então, eu sigo
e o encontro no mesmo lugar.

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Quem acha? -
 




Quem acha? -
 

Quem acha? -
 

Quem acha? -

Quinta-feira, Junho 21, 2007

 

onde estão os centavos que guardei na mão
as hóstias que pretendia comungar
o mundo que eu queria criar
onde estão meus pais, meus irmãos?
qual mesmo foi meu primeiro chão?
como é fácil desencontrar-me
e nunca mais chergar!




Elaine Pauvolid

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Quem acha? -

Sábado, Junho 16, 2007

 
Meu anjo

Meu anjo da guarda é uma senhora
a coser uma colcha
quando percebe que estou guardada.
Sua colcha é pesada...
Quando estou no meu normal, que é estar em perigo
Ela, a velhinha, fica atarefada
corre de um lado para o outro
e nem pode fazer mais nada
mas, quando minha alma está sossegada
eu a posso ver cosendo sua colcha bem pesada
seus olhos de pessoa quase cega tentam enxergar pano e linha
eu olho para ela e me acalmo mais ainda
então, meu anjo me sorri e volta a sua tarefinha.
Perco-me olhando criatura tão fantástica
Logo vem me mim de vida uma lufada
E eis que meu anjo já não poder fazer mais nada.


Elaine Pauvolid

Quem acha? -

Quinta-feira, Junho 14, 2007

 







*

A terra foi batizada de sal
e eu não me reconheço


Elaine Pauvolid


trilha para este poema
trilha para este poema




*frame retirado do clip da banda dead can dance para a música: Yulunga. o link para assistir ao video está na trilha sonora para este poema.



Quem acha? -

Sábado, Junho 09, 2007

 
Olá, acesse
http://www.youtube.com/watch?v=RrNemdJCxdc&mode=related&search=

Deixe minimizado, é Nina Simone cantando, vai ser a trilha sonora deste post.


Lá vem o Sol

O Sol está vindo, o Sol está vindo
Tudo está bem
meus primeiros passos ensolarados
por minha mãe
para mim e para meu irmão
o sol todos os dias
ele viria mais cedo ou mais tarde
The sun
felizes como todo mundo deve ser
hoje quando ouço Nina Simone
entendo a força daquelas manhãs na minha vida
Lá vem o Sol
Lá vem o Sol
E tudo está bem

E estava realmente tudo bem.






aguardo o momento , o próximo, o seguinte, o segundo depois daqui
e já nem sou quem espera
é outra
que colhe o que ansiava
de que vale a espera
se não mata ?



a vida não perdoa
ela esquece


++++++++++++++++++++++++++


eu quereria ser uma tartaruga

os mesmos equidistantes momentos, as mesmas tendências suicidas, os mesmo traços longevos, a mesma angústia na vida

*****************************************

Nunca é o verbo
talvez o único
modo seja estar
++++++++++++++++++++++++

o modo como ele olhava por cima do ombro lembrava-lhe certa pessoa da qual não lembrava o nome
e estirava por sobre ele todos os momentos felizes
como se o conhecesse há tempos.
como se o conhecesse há tempos
o mundo nunca lhe fez promessas
nem reservou-lhe migalhas
o mundo só lhe permitiu atitudes imediatas
e momentos vãos


o que não mata esmaga

++++++++++++++++++++++
não se pode brincar com fogo nem com água
um seca, outro estraga
só se pode brincar com fé
com espingarda
o mundo que não fere,
é o mundo que mata

************************************

tento descansar minha cabeça sobre o colo quente de minha mãe
o sol está a pino
não há ninguém nas ruas
é hora de trabalho
"é preciso andar nas ruas sempre com a carteira de trabalho"
e eu descanso meu corpo sobre o colo cansado de minha mãe
eu que hoje tenho a idade dela mais duas de mim
quando me aflijo, lembro do que sinto
quando nos primeiros anos o sol restava a pino

*********************************




Uma lufada de ar na sua vida


Minha mãe se chama Nina Simone



*****************************

Poluição

loção pau loção pau loção pau loção pau
polução

*********************************



gostaria de escrever uma música
não para tocar
mas, para simular
enquanto toco as teclas do teclado do meu computador
uma canção de palavras
não com as palavras
mas, pela metáfora do som
que fizesse soar
e assim serem por um momento
meu piano as palavras




Quem acha? -

Quinta-feira, Junho 07, 2007

 




_Cavalinho...

Diga, Jokasta...

_ Eu acho que não existimos ...

Mas, de onde tirou essa idéia tola ? Se está falando, como pode não existir ?

_ Eu estou tendo a impressão de não existência...

E o que seria "impressão de não existência" ?

_ É como jogar este graveto no lago... Vê... vê que ele flutua agora ?

Sim, vejo... E onde está a impressão de não existência?

_ Eu não joguei graveto nenhum na água...

Como?

_ Eu não joguei graveto na água... Eu não estou nem mesmo falando...


Quem acha? -
 
aos covardes mais estranha
ter de ser
possessos, tentam não ser
sem saber o que é
se escondem
conjugando ter
medo
inveja
raiva
ter de sobreviver
oh, pobres,
pobres,
pobres,
pobres dos covardes
deles sempre será o reino dos céus
quando dobram os joelhos trêmulos
e se entregam.
Morrendo em paz, santos,
conseguem não ser
nem covardes...

Elaine Pauvolid para todos os covardes
Quem acha? -

Domingo, Junho 03, 2007

 
É Cavalinho Amarelo, estamos aqui há muito tempo. e o tempo não muda, sempre úmido.

_ Sim, digno dos sapos... vc gosta deles...

Ora, claro que sim. os meus sapos. eles me protegem. eu sinto que me protegem. o olhar é protetor. Vc não concorda? Outro dia tive um reluzente nas mãos... Nossa como reluzia... nunca vi... parecia fluorescente... parecia de borracha... brilhava no escuro...

_ Ah, sim, ele deve ter comigo alguns pirilampos...

Sério ? Eu não sabia que acontecia isso... Vou dar sempre pirilampos para eles, os meus sapos...

_ mas, e os pirilampos...? vc não teme de acabar com eles? não teme pela vida deles?

Eu não gosto deles... dos pirilampos... eles reluzem muito, mudam de lugar e de sentido e não me deixam dormir...

_ (...)

Eu não gosto dos pirilampos, apesar de os achar lindos... Muito mais bonitos que os sapos...

_ (...)
Quem acha? -
 
Se eu precisasse de destino
seria um rio...



toco na face de meu avô materno que nunca conheci. posso mesmo vê-lo adentrando a casa, curvando o corpo para não bater no umbral da porta; e gritando Vitorinha , Vitorinha, e minha tia se escondendo daquele homem gigante com mãos imensas... ela não gostava do nome... minha tia... minha mãe amava esse meu avô... e é através do que ela me conta que eu lhe toco a face, toda vez que sinto falta de um vô


Quem acha? -
 
dói ver a derrota de tanta gente
os sonhos esquecidos na caixa de brinquedos, que
por algum motivo alheio a todos,
permanece intocada... a arca da aliança
com o passado de manhãs de sol
onde tudo era tenro e recuperável e
ainda assim se pode abri-la com cuidado
e deixar escrever no ar o poema jamais pensado





quem nunca desejou desligar-se do mundo para aplacar a dor aguda ?
não a dor da doença, essa tão aceita e que até pode matar de verdade,
mas, aquela do peito ardendo, o coração em chagas
ah sim, a lancinante...
quem que já a sentiu e não a quis dessentir num passe de mágica?
e quem o fez, terá de falto lavado sua chaga?
ou terá de fato a espraiado no sangue jorrado pela espingarda
ou pelo crânio partido na calçada?
E para quem terá sido esta cena?
Haveria um destinatário exclusivo a ela?
ou é a chaga pela chega aberta
o alívio da dor apenas
que quis o nosso mártir
a fazer por nós?
Amém





Nós dois a nós

Não é poesia a vida real
ou a vida real é poética demais
para nós, humanos demais
Talvez nos encontremos nos nós
do piano
dos encontros
em nós, reflexos
da baía de Guanabara
no nós dos anos
nos nós tão demasiadamente humanos
incapazes de lidar com nós e danos
dando-nos tão pouco
quando nós, generosos
nos damos a espera
de sei lá qual barco
que nunca chega


++++++++++++++++++

Pouco a pouco uma pessoa vai se desistindo em pó
E o que antes era não é mais


++++++++++++++++++++++++++++++++++


não sei em que momento específico se deu
no entanto, aconteceu
de repente entendeu: morta.


+++++++++++++++++++++++++++++++


O mundo não perde
o mundo se diverte

Quem acha? -

Sábado, Junho 02, 2007

 


Nós dois a nós

Não é poesia a vida real
ou a vida real é poética demais
para nós, humanos demais
Talvez nos encontremos nos nós
do piano
dos encontros
em nós, reflexos
da baía de Guanabara
no nós dos anos
nos nós tão demasiadamente humanos
incapazes de lidar com nós e danos
dando-nos tão pouco
quando nós, generosos
nos damos a espera
de sei lá qual barco
que nunca chega


++++++++++++++++++

Pouco a pouco uma pessoa vai se desistindo em pó
E o que antes era não é mais


++++++++++++++++++++++++++++++++++


não sei em que momento específico se deu
no entanto, aconteceu
de repente entendeu: morta.


+++++++++++++++++++++++++++++++


O mundo não perde
o mundo se diverte

Quem acha? -
 

muitos sonos são só visitas
enquanto canta o acalanto os seus dias
sua mais aquinhoada mulherzinha
lhe diz muitas historinhas
de como lhe roubaram na feira
de como o padre errou o sermaõ
de quanto ainda hão de dizer amém
à morte que lhes salva da vida
Assim seja



Quem acha? -
 
Chegaram uns poemas para mim
oferta de uma mar não tão distante
um mar sempre estando aqui
um mar que me constrange
um mar que me aquieta
o mar que me cerca e me delimita
o mar que me diz:
calma, está tudo bem, já vai passar...




Nunca fui de me esconder
porque me mantive sempre na invisiblidade
também nunca fui de me conter
porque nunca compreendi as convenções
nunca entendi porque esconder sentimentos
ou não dizer do ódio, nem de delatar o óbvio
por isso carrego muitas cicatrizes
pois nem todo mundo vai comigo
muitos preferem o silêncio
a dor engolida
a ferida escondida
o purido fétido sob vestes limpas
e por isso sigo
cheia de chagas
uma espécie de cristo sem fiéis
uma espécie de cristo só feridas
e acho que é por isso que acredito num Deus
não, meu amigo, não me gabo disso
eu sou isso
e se lhe digo
é porque a solidão carregar sozinha
também não consigo
eu grito



Quem acha? -

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