Sábado, Março 31, 2007
Quem acha? -
A inspiração que vem do chão...
Não vem da elocubração, mas também vem de lá... não vem do céu, mas, também
vem de lá. a inspiração que vem do chão. a primeira, a rasteira e tão evidente. tão presente, quase uma pessoa que vc conhece desde pequena. daquelas pessoas que vc confia e ama plenamente. quase meu avô, a inspiração que vem do chão.
meu avô de terno, blusa branca e sem gravata. meu avô de sapato sempre bem lustrado. eu o via lustrar seus sapatos... e neste momento meu avô era um sapateiro. um sapateiro da equina, desses que vejo todo dia e parecem com meu avô. meu avô dos óculos
de aros grossos e negros. meu avó que usava um chapéu de feltro. meu avô com bolsos largos no paletó... meu avô
que sempre trazia balas, que nunca foi sapateiro. meu avô que mantinha a casa em ordem. que trabalhava noite e dia, inclusive nos feriados. meu avô de avental, de vassoura na mão. meu avô colocando a mesa do almoço. meu avô não durou...
Então, a inspiração que vem do chão é como as longas conversas com meu avô que não durou. do meu avô que não está nesta ilha.
está do lado de fora. talvez comigo no parque lage. meu avô bem mais magro e não de terno preto, mas de terno cinza. meu avô
me dizendo as verdades da vida...
Não me acusem de hermética... só estou tentando me descobrir e neste movimento me fazendo. e vc aí lendo...
é que não teremos posteridade. ao menos é o que tudo indica... eu quereria que houvesse posteridade. mas, nada é fácil e é preciso. ainda bem que temos internet. ainda bem que temos o presente. e o que é a web senão uma forma de o tempo se
aprofundar. de ele deixar de ser linear. de estarmos em todo lugar. no espaço e no tempo. sim... sim... de estarmos...
então por que não os diários ;;; diários provisórios. confissões de momento. nada de eterno.
+++++++++++++
O silêncio é meu maior companheiro. Não sei se solidão tem a ver com silêncio ou se o silêncio é que vem habitar a solidão. O que sei é que o silêncio é meu amigo. Sempre esteve perto. A solidão é companheira também, mas, muito triste. Pesada. Ela é um chorão. O silêncio, não. O silêncio é o sol batendo no concreto. o céu azul por perto.
O mundo que resolvi habitar é logo ali. O mesmo que o seu. Com ele me relaciono e conto. Conto como é isso de ser. ou ao menos tento contar. enteder não é preciso, contar é preciso.
viver é como estar muda
me faltam as palavras.
estou a ponto de explodir.
venham cá, palavras. venham cá...
Pirilampos, onde estão ?
Venham com seu clarão...
está tudo escuro...
o reflexo laranja de uma lâmpada
afogueia minha solidão
onde estão todos ?
o pato e sua indiferença
só se faz ver pela cor
o outro pássaro que eu não tinha notado
já me viu há muito tempo e nem move uma pena.
Jokasta 1:10 PM
Terça-feira, Março 27, 2007
Quem acha? -
Apesar do silêncio, minha ilha é explosão.
Jokasta 7:48 AM
Sexta-feira, Março 16, 2007
Quem acha? -
e de repente me passou pela cabeça
que estamos todos indo
diretamente indo
para a terra prometida
...
No mundo dos vivos não se tem exclusividade
só os mortos são capazes de nos unir
porque enaltecemos a sapiência deles
mas, por que temos medo de partir?
partir deve ser tão doce
talvez não para todos
mas, para os que vivem sozinhos por aí
tentado respostas impossíves
a morte dever ser realmente um alívio...
eu não quero morrer
eu gosto de andar sobre a vegetação
e descobrir as cores das folhas secas
brincar com cachorros
sim
jamais o sombrio sobre minha vida
foi uma questão de escolha
mas, também aprecio os que não tiveram escolha
e vivo numa ilha
eu tenho um tesouro dentro de mim
que não fiz o menor esforço para merecer
isso vem comigo
vem comigo
eu não largo
às vezes esqueço
mas, logo de repente eu lembro
e volto a ele
e me gabo dele
e me saio bem
não sei bem
por que me esqueço
o tempo todo
deste meu valioso bem
talvez porque
o que valha mais
seja a verdade
querer saber de todo o resto
de tudo a volta
e ainda querer fazer parte
de uma escola
de uma comunidade
de ter alguém
para quem contar
a novidade
********
Rs
a graça toda está em que ninguém tem a menor idéia de quando isso vai acabar
e nem de quando exatamente isso começou
é por isso que navegar é preciso
jamais viver será preciso
a não ser que viver seja apenas o caminho
********
Afora o silêncio, a vida é brincar
********
Quando me vejo nada
quando me vejo em casa
quando o silêncio mata
eu volto a pensar
e pensar
e pensar
e tentar um sinal
que eu não sinto nada
que eu não sinto nada
******
o tempo que todo mundo diz ser relativo
o tempo é de cada um
cada um no seu tempo, no seu mundo
isso é muito verdadeiro
pensei no tempo como espaço
como canteiros
como túneis
a gente escolhe um e vai
engatinhando por ele
e se calha de nosso tempo ser o de outro
a gente esbarra... e
encontra alguém com quem conversar
e falar do que vimos enquanto estávamos em silêncio
no nosso tempo
na nossa ilha
a memória é um ilha de edição (wally salomão)
este verso quer dizer tudo que digo neste confidências de jokasta
é o poeta e seu tempo
encontrando todo mundo junto
e gritando:
a memória é uma ilha de edição
é quando o artista voa
sobre os tempos
eu gostaria de poder voar
e ver vcs
mas, mesmo voando
não os toco
estou sempre só
cada vez mais só
wally
wally
wally
onde está vc ?
onde está wally?
*****
O silêncio, a solidão
são incomunicáveis
mesmo ?
Ela me deu a mão enquanto eu atravessava a rua
e sonhou comigo à noite toda
ela sonhou
e sonhou e sonhou
como será escrever ?
onde estou não escrevo
sou escrita
****
eu achei que aqui eu pudesse ser totalmente livre
e distante de tudo
mas, percebo que liberdade e distância dos outros
não me satisfazem
eu não me satisfaço
eu não me acho senão olhando para vc
que eu nem sei quem é
Pirilampos
pirilampos
pirilamampôs
escondiidos
em meio a névoa...
por que canto ?
por que canto ?
por que canto ?
estas notas estranhas ...
em meus ouvidos ?
por só conhecê-las
pirilampos, pirilampos
pirilampos
pi ri lam ã pôs
em meio a névoa!
Jokasta 8:16 AM
Terça-feira, Março 13, 2007
Quem acha? -
Eu não quero que esta história tenha personagens além de mim
- mas, por quê?
Porque não quero depender de ninguém
-mas, como vai se fazer entender pelos seus próprios leitores...?
Eu quero que eles se danem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Quer mesmo isso ?
Não... Sem eles viver é como estar muda...
- Vamos, suba em meu dorso... vamos dar uma volta...
Não... eu quero ficar sozinha...
-Não, não quer...Venha
E eu subo no cavalinho azul... não não é cavalinho azul...há há há há
-Chega, Jokasta, chega...
********
O mundo não é de ninguém,nem mesmo desta ilha, o mundo é solto e mudo!!!
Esta ilha não é infinita. ela tem o tamanho do meu pensamento. ela tem o tamanho de minha existência. é o que fui, o que sou e nunca será o que serei. serei o que sempre fui, portanto. isso não é apenas para lhe deixar confuso, é meu estar no mundo. a ilha não sou eu. claro que não. se eu fosse essa ilha eu seria muito pouco. no entanto o que sou é por cima dessa ilha. ela me ajuda a ser outras coisas. e vcs são essenciais. porque quando comentam sei que sou. rs sou não sou sou não sou não sou sou não sou
É claro que eu tenho um sem número de coisas a fazer. sempre tive, mas, sempre me detive nestas duas teclas: sou não sou sou não sou não sou não sou
sou - não sou
sou - não sou
sou - não sou
sou - não sou
sou - não sou
sou - não sou
um sistem binário... sempre fomos binários. sou - não sou . sou não sou
sou não sou
sou não sou
sou não sou
sou não sou
um sistema binário que precisa de um suporte
o não em cima o sou sou por baixo
então temos um triângulo
sou sou
a base
não por cima
austero
gritando
não não não não
não não não não
não não não não
repita
sou sou sou
não não não
e tente fazer isto em casa
com o word
veja que ritmo de cavalo tem o de teclar
sou sou sou
e depois
não não não
sou sou sou
não não não
sou não sou sou não sou
sou não sou sou não sou
sou não sou sou não sou
sou não sou sou não sou
a galope
a galope
o cavalo amarelo e nenhum outro cavalo são binários
a natureza não é binária
o pensamento, sim ?
será que existe um entre sou não sou
rs
como vai haver um entre sou não sou
um meio ser ?
um meio ser já é
e o que não for não é também
rs
sou não sou sou não sou sou não sou
não tem saída
tenta ?
hahahahahaahhahahahahahahhahahhahahahhhahaha
tente sair
hahahahhsahah
Jokasta 12:13 PM
Terça-feira, Março 06, 2007
Quem acha? -
Viver é como estar muda
diga-me o que não é ilusão...
É risível seu estardalhaço frente o nada.
Que se danem suas conclusões apressadas
os seus presságios tolos
a vida não é jornada, baby,
estamos todos jogados, sweet heart,
nada nos distinguiria dos ratos, sorry,
não fosse nossa ligeireza em nos esconder
nossas artimanhas para fazer nosso corpo não notar
que nada, nada mesmo, vai acontecer...
Elaine Pauvolid
No pronto ato de agir
no estabelecimento das coisas
eu me mudo
e volto e flutuo
pode-se jogar xadrez com palavras
é sua vez...
Jokasta 1:36 PM
Domingo, Março 04, 2007
Quem acha? -
Pois é, me deu vontade de falar de uma pessoa muito importante para mim... Talvez ela seja a pessoa mais importante pra mim
como escritora, depois de uma outra, que foi quem, de certa forma, apresentou-me a segunda pessoa mais importante para mim como escritora...Eu falo da mulher que matou os peixes. Da vida íntima de Laura. eu falo da clarice. clarice lispector veio na minha vida através deste livro para crianças, e sobretudo através de minha mãe verdadeira.Não a daqui da ilha. A da terra. Minha mãe verdadeira me falava de clarice como uma mulher preocupada com os filhos, que era escritora.uma mulher como ela era, mas que era escritora também. mas, escritora de uns livros muito diferentes... de uns livros que ninguém nem acreditava
que tivessem sido escritos por uma dona de casa. minha mãe até dizia
que em alguns livros ela se desculpava... rs.isso foi em nos finais dos anos 1970, talvez um pouco antes de clarice
ter morrido ou um pouco depois. o certo é que foi assim que eu conheci a mulher que matou os peixes...
Eu nasci em 1970. Mas, já nasci adulta. Não naquela época, claro, mas sempre. ou vc acredita no tempo linear.... háháhá... espero que não acredite que exista um começo, meio e fim. porque sevc acredita num começo meio e fim vc terá um começo meio e fim. eu acho até que acreditar nissopoderia se muito bom se os começos fossem começos e os fins fossem fins. mas como viver o meio sem o começo e o fim sem o meio. como viver sem as experiências e pessoas dos intervalos. achar
que ficaram para trás é também não acreditar nas estrelas nem nos eclipses...
Então, eu que já era o que sou hoje gostava muito de brincar que pintava minhas unhas com uma fita, enquanto minha mãe
pintava as suas. ela pintava em silêncio suas unhas lindas, sobre a mesa de mármore redonda, cujo centro continha
um vaso de cristal azul. um vaso com uma flor. eu também gostava, nesses momentos, de subir na mesa, e ficar fazendo
mágica na flor. fazendo movimentos com a mão sobre a garrafa a fim de que uma mágica acontecesse. e a mágica era mesma
esta do movimento. no silêncio em que ficávamos, ora minha mãe fazendo a unha, ora eu fazendo mágica, um silêncio
filmava toda cena que escrevo agora.
Com certeza é o silêncio que vem contar tudo isso agora, porque eu não via com meu olho. eu via com o silêncio.
isso foi mais ou menos em 1972.
E Clarice veio então por Laura. Eu achei o livro muito estranho. Um livro assustador. Um ET escondendo uma galinha...
um livro fininho... eu então perguntei para minha mãe ou ela que se antecipou... não sei... talvez ela tenha falado de
clarice porque o colégio mandou a gente ler. foi o encanto de minha mãe que me fez ter curiosidade por clarice. fiquei
gostando daquela mulher, fiquei muito íntima dela, pela intimidade que minha mãe demosntrou. minha mãe mostrou
tanta alegria em ver o livro de clarice... eu fiquei então com ele na mão como um tesouro. mas, pensei comigo, esta mulher que escreveu este livro é muito corajosa em escrever um livro tão ruim e colocar uma capa tão feia. e me identifiquei com ela. o mundo passou a ser bem melhor depois disso. o mundo não era tão certinho como parecia. porque que mandou ler foi o colégio...Ora o colégio da ordem das ursilinas, do qual minha mãe tinha muito orgulho de me ver matriculada. O Santa Úrsula, que fica na Gago Coutinho em Laranjeiras. Eu entrei neste colégio em 1978, mais ou menos, é no tempo linear, clarice já tinha morrido. Este colégio já foi muito famoso antes. Era colégio de filhos de diplomatas, de gente de posses... de gente de dinheiro... era, segundo minha mãe, sinônimo de boa formação. Ela dizia com orgulho, que antigamente as meninas para entrarem no colégio tinham que mostra a sola dos sapatos, para ve se era da marca recomendada...Eu não via muito porque ter tanta admiração por algo tão humilhante, mas entendia que minha mãe devia ter querido muito ter estudado num colégio assim quando tinha minha idade... Mas eu queria só lembra de clarice lispector. foi mais tarde que eu fui ler clarice para adultos. foi mais tarde
q eu fui ler água viva e fiquei tonta. inebriada, zonza. um livro entorpecente. um livro que era um alucinógeno. achei muito curioso.
eu acho clarice lispector um personagem muito curioso... muito solitária sempre aparentou para mim. não sei se era mesmo. quem a conheceu diz que era uma pessoa normal. que ria, fazia piada... para mim ela sempre foi esfinge.
Aliás, se eu não me tornasse escritora, tornar-me-ia escultora, gravadora, pintora, cantora... eu certamente seria artista de qualquer modo... afinal, como seria capaz de montar esta ilha, de ter nascido nela adulta, se assim não fosse? ser artista vem antes de mim. acho que nasci artista, assim com já nasci adulta. tornei-me escritora, é diferente. se hoje posso dizer isso é porque vcs me autorizaram a isso. sim, vcs mesmos que estão me lendo. alguns dos quais me repudiarão... sim, os martíres... sou também, na mão de quem promove agora o escárnio, a mártir, a geni, aquela moça do dogville. por isso a ilha. para me defender dos terríveis homens com pedras nas mãos e suas mulheres e crianças prontos a mutilar para parar de sangrar-se.
Mas, eu não falava de mim... falava de duas mulheres. uma, minha mãe, a outra, clarice lispector. sim... clarice lispector foi meu primeiro enigma literário... eu tenho uma relação muito forte com esta mulher que não matou peixe nenhum.
Eu tenho um graveto na mão agora. e faço um desenho na areia desta ilha quase inabitada. sabe o que escrevo?
Jokasta 3:35 PM
Sábado, Março 03, 2007
Quem acha? -
Tem horas que eu nem queria que vc vivesse
que vc viesse
tem horas que eu não queria testemunhas
tem horas em que eu queria, como agora, através de minha unha
arrancar de mim qualquer sinal de contato com o resto
e brincar com o mundo todo apagado
sem ninguém olhando
não a ilha, a minha ilha, mas, esta sua cidade
está que me está mirando através dos seus olhos.
quereria toda ela deserta.
as pessoas me incomodam
elas me atrapalham
o mundo poderia ser inabitado
e eu seria nada, seria também um não habitante
de um mundo não habitado
tudo quieto
de noite
nem um sinal
nada...
nada...
um mundo sozinho...
igual a mim.
Acho que não falo da vida
acho que falo da não vida
a vida que se pode ter
num poema do bandeira
ele diz da sua vida inteira
como queria ser criança
a criança que não foi
a que ficava atrás do vidro
então, eu não sou a única
ainda que adulta
ainda que morta
ainda assim, não sou
sou este estado mesmo de não ser
e gosto às vezes de estar com gente
é quando vou ao mundo
e abraço tantos
e beijo todos
e me admiro de todo mundo parecer exisistir
e saber que todos são iguais a mim.
Todos aflitos
fugindo
correndo
tentando
procurando o q não se acha
cada um a seu modo
mas é a mesma ferida
a mesma inadequação
por que não desistimos
por que estamos sempre a caminho?
Não me venha me dizer que vc não sabe quem matou os peixes...
não me venha me dizer que vc não sabe quem foi o grande mentor
não me venha me dizer que vc não sabe quem se esconde atrás daquela árvore
não me venha dizer que vc não sabe de que ele se esconde
não me venha dizer que vc não sabe
não, não atire... deixe-o ir... deixe-o buscar outro destino
não, não sei se ele volta
espero que não, espero que morra no caminho
mas, que morra em paz, sozinho.
-Você nunca falou das aranhas...
É que me apaixonei por elas faz pouco tempo. fui num baile na casa da
duquesa e duque Sabá. Lá fui recebida como rainha.
-Onde fica este reino? São humanos os de lá?
Não, são peixes. Peixes de ilusão. Cada peixão... Acho que
foi no lago, no lago ali ao lado, onde ouvi um sapo me convidando...
- Isso me parece Lobato...
E é. Lobato bato bato bato na porta dele dizendo:
ei, seu monteiro, posso entrar no seu chiqueiro...?
é chic
demais este mundo inteiro... háháhá
- E ele deixou ?
Deixou! E me contou um monte de coisas. sobre astronauta,
sobre minotauros, sobre emília... e foi correndo nos quintais,
chupando manga, me sujando e ouvindo as cigarras que fui
criando garras.
- que garras?
garras de cigarras, háháhá...
-háháhá
então, ontem eu fui ao mar
e a duquesa e o duque de Sabat me deixaram
muito à vontade
houve um baile. um baile em homenagem a pessoas
como eu , que têm suas ilhas, suas ilhas de montagem...
- Isso não é seu...
há há há... é de quem então, senhor sabido?
se adivinhar
eu me caso contigo...
eu fui ao bar
eu fui ao bar de sabat
eu fui ao lar de sabá
eu fui ao mar de saba
eu fui lá
e conheci muitos iguais a mim
e nenum outro igual a ti.
***********************************************
Realmente e sem dúvida alguma vc me falta...
podia ser bem diferente, eu podia não dar falta...
na verdade não dou... que tenho o cavalo, a aranha,
os vagalumes, as corujas e as piranhas...
háháhá
há muito mais, sim...
o remorso... ah, quanto remorso... remorso vão...
não sei seu remorso é real, o meu é não.
né, não, meu remorso é fatal, mas, ilusório...
sou quase uma fantasia, um fantasma, uma alegoria...
mas, também já causei mentiras... que me doeram...
como pude me forjar deste jeito?
pouco importa agora que já me fiz. pouco agora que já estou
reles e infeliz e tão tamanha a ponto de não caber em mim...
rs
não caber em mim, que tolice maravilhosa, bem que seria ótimo este
não caber, transbordar...
ó.
Onde não procuro um par,
procuro um para
Elaine Pauvolid
Ao Mallarmé,
Para que viver assim às voltas com corujas
se já houve quem vivesse com faunos
e mais do que fez não deu
para acabar o inacabável
senão agora
seu lance de dados
Elaine Pauvolid
Às vezes, que é quase sempre, tenho vontade
de falar com o mundo. O mundo mesmo, o planeta.
Que ele me ouvisse: oláaáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
há alguém aí?
então ouvisse a resposta, num gemido de baleia.
E vc meu cavalinho amarelo... Procurei tanto por vc. Agora
tão ao meu lado... Meu querido cavalinho amarelo...
Aqui um quadro, dele abaixando a cabeça de modo
que vc pudesse entender o que tento expressar.
talvez se eu dissesse a palavra: carinho, fosse mais fácil entender...
carinho carinho. imagine então um cavalinho amarelo baixando a
cabeça, deixando a crina escorrer, para o carinho, mais em mim
que nele, que é mágico.
_ Jokasta, aquilo sobre os vagalumes... não tem problema, há muitos por
aí... vc só queria um pouco de paz, só isso...
É, cavalinho, só isso...
Pauvolid, Elaine, 2005
Reinações de Emília
acrílica sobre tela
-Viver morta... Outra pessoa já disse isso, Jokasta...
Não, o que ela disse é que quando não escrevia ela se sentia morta.
-Dá no mesmo.
Claro que não. Eu vivo morta, escrevendo ou não...
-Ora, faça-me o favor...
É, o senhor acha que estou bem viva?
Pois, então, pergunto-lhe:
o que é viver numa ilha?
Uma ilha cujos pais nem são seus pais
e cujos outros seres não são humanos...
_ jokasta, essa foi a sua escolha. Vc quem quis colocar um pai
que não fala e uma mãe que mexe o caldeirão o dia inteiro. Preferiu
para conviver sapos e dragões, e eu um cavalo amarelo...
Esqueceu a coruja...
-Pois, é: a coruja...
Porque sou eu, ora bolas. eu sou isso. não posso querer inventar o que
não sou. se este blog era para ser um diário, se isso era para fazer o que
os diários vieram fazer no mundo, como caber outro alguém aqui...
-Então por que se queixa...?
Queixo-me do quê, senhor cavalo amarelo...?Eu apenas
estava dizendo: vivo morta. uso isso aqui para
existir. aqui me perco, aqui me acho. aqui estou bem protegida.
eu nem mesmo vou morrer porque sou natimorta...
_hum...Tem certeza...?
Na verdade, não nasci.
Não nascer é estar morta
Meus filhos todos mortos
um dois três quatro
e já nem conto o quinto
que de tão morto
já nem sabe que foi
filho
Jokasta 2:15 AM