Respostas até agora:
_ Cavalinho
_ Hum
_ Não sei se sente o mesmo que eu, mas eu preciso lhe dizer que às vezes me sinto muito mal acompanhada por você...
_ Eu sinto o mesmo, não se preocupe
_ E por que motivo nos acompanhamos?
_ Talvez porque a solidão seja ainda pior...
_ Solidão é uma espécie de ave. Não sei por que vc veio a falar de bichos agora....
_ Talvez porque ela seja uma ave com coração canino.
_ Isso não explica nada...
_ Os cães não são bichos...
_ Ah, não?
_ Não. Os cães somos nós com medo.
Elaine Pauvolid 12:37 AM
Respostas até agora:
A vida não é senão o mar em nós. O princípio há muito esquecido se há de fazer presente em alguma forma de pensar ou mesmo de agir. Um dia há. Como sempre tem sido. Acontecido sempre o passado no futuro e vice-versa, sem novidades. Por isso sabemos.
Não sei que argumento presencio
nem o que tange só a margem
Sei que em nada insisto
senão em severo alarde
o mar, sempre o mar em nós
e o universo esquecido...
o singrar o mar...
as nuvens e o céu atrás
se deixando ver da cor
do mar ou do vento.
Que o vento tem a cor do mar
quando canta. O ar entrando
a plenos pulmões, o corpo
gostando de ser corpo. Não
tem nada a ver convosco.
O corpo quando quer ser corpo
e correr com pés na areia não
pergunta nada. O corpo
diz a parte que lhe cabe quando
entra ao mar. O corpo não sabe
de vós nem vós sabeis do corpo.
Se gritam e se invadem, mas não sabem.
Somos distintamente iguais...
O corpo, seu grito
seu corte e seu vestígio em vós
que não cantais. Cantai
vós fazendo elogios ao corpo.
Deixai secar sob o sol.
Fazei amor com quem lhe canta
os sentidos... não cobrais
de outro corpo o desejo do corpo.
Sentai, respirai. Vivei
o que vem de vós, o canto.
Elaine Pauvolid 1:40 PM
Respostas até agora:
nao sei que argumento presencio
nem o que tange só a margem
sei que insisto em vazios
e vou transformando o que vejo em miragem
de olhos baços, coracao de pedra
ora sensível ao que cerca
ora apenas a covarde
e nao sou em que vem dizer
ou ao menos nao deveria ser
o que passo a vc.
***************
o mundo nao se prende no vazio
o mundo é vazio
o que vivemos
o que vivemos
o que vivemos
este é o fio.
Elaine Pauvolid 3:18 PM
Respostas até agora:
Alguma coisa se perde
entre nós, em mim e em você sozinho
Deixar passar e ver morrer
o que nem nasceu.
viver no possivel de nós
o que restou
em rastros sós.
***********
nao há o vento por dentro
nem a voz
nem nada
há um cerco
a dúvida
e a certeza
há o erro
há a vontade do erro
a sorte na mentira
há a verdade
gritada e pisada
há a indiferenca
a ressonancia
há o desejo e a vida
há isso
++++++++++++++
a palavra quando cede à vontade de amar
se torna toda verde
adelgadada
faz ver a vontade por trás
depois deixa entrever os dentres
e mata.
Elaine Pauvolid 3:16 PM
Respostas até agora:
a palavra quando cede à vontade de amar
se torna toda verde
adelgadada
faz ver a vontade por trás
depois deixa entrever os dentres
e mata.
Elaine Pauvolid 3:13 PM
Respostas até agora:
Poeira
O mundo à parte do nada
O recomeço
A vontade armada
O louco de olhos vazados
A morte que não está entre nós
E os sonhos, os sonhos, os sonhos
Desesperados alcançando o ar
A nuvem de insetos, a poeira sob o teto
A voz embargada
A faca, o pão, a verdade velada
Elaine Pauvolid 6:28 PM
Respostas até agora:
Anteprojeto para uma vida torpe
Tenho dores no peito.
Bem no fundo do corpo,
um desassossego,uma solidão plúmbea.
E quando a dor aperta,
recolho-me, concha
deitando-me a maré
até acordar sol secando face.
Até nova onda esgarçar a garganta concha.
E retornarem braços, pernas, pele fina.
Pego os sapatos e volto-me casa.
Sigo afazeres diários -
mortalha
O tédio também dissolve dores...
Tomo notícias em xícaras plásticas;
e uma ou outra me interessa muito!
Em seguida largo o copo, o corpo,
lança debaixo de um livro,
que não acaba.
As páginas, asas de sono
trazendo paz,
e a horda de pequenos anjos
não entendendo porque de mim tão triste.
Sorrio levemente dizendo à boca semi-cerrada:
É sina, é sina...
elaine pauvolid
______________________________________
o silêncio não morde
Elaine Pauvolid 9:19 AM
Respostas até agora:
ela está quieta,acabrunhada,metida com seus insetos...
_ Jokasta, Jokasta, Jokasta....
Onde deve andar esta menina...? Faz duas eternidades que não a vejo... Onde andará minha filha ? Jokasta, Jokasta, Jokasta...
_ Eu a vi perto do rio escuro. Estava coberta de folhas. Queria se esconder.
Diz à mãe a coruja.
_ Mas por que minha filha quer se esconder?
_ Ela acha que em gente demais nesta ilha...
_______________________
Não era esconderijo, era aflição. Eu perto de mim querendo mais que chão. Não, não era não. Era uma nuvem estilo gótico chamando-me bastante a atenção. mas não fui de encontro a ela porque queria mais, mais atenção. Psssiu... silêncio agora. Pressinto que a coruja está voltando... Fez o trabalho sujo de entregar-me a minha mãe. Agora volta, doce delícia com um raminho no bico... Não, coruja, vc não é uma pomba, nem muito menos uma pomba branca... O que quer de mim agora? Saber mais detalhes sobre minha aflição para ir correndo contar ao universo inteiro? Não, não, isso não. eu não lhe falo mais nada. Preciso de um lugar ainda mais deserto que esta ilha...
_ Jokasta, perdoe-me mas eu tive que aparecer...
_ Cavalinho amarelo...! Quanto tempo...
_ Sim, o mesmo tempo em que vc andou sumida
_ Eu não sumi. Quem me dera... não sou matéria mas estou mais visível do que nunca...
_ talvez agora, mas por muito tempo andou sumida
_ o tempo da demora
_ acho que vc precisa repensar algumas coisas...
_ eu nao posso
_ por quê?
_ talvez porque se eu repensar algumas coisas eu não exista mais
_ Não quer pagar este preço?
_ Não, eu não quero.
_ Talvez seja o único modo de existir de fato...
_ Talvez a minha autora. Eu, não.
_____________________________________
Não se pode deixar a um personagem o poder sobre sua narrativa. Ela está usurpando este poder...
_ mas à autora é que cabem as ações dos personagens...
_ Sim, cavalinho amarelo, eu sei disso... vc também é meu personagem... eu vou providenciar algo mais enérgico de minha parte.
Talvez o fim desta história... Finalmente o desfecho...
_ Sim, talvez seja um caminho...
Elaine Pauvolid 2:35 PM
Respostas até agora:
Charco
Deus estava de asas quebradas
Caiu do céu e tornou-se o meu Senhor.
Na minha casa não há comida
pelo meu teto a chuva vinga
e minha luz, acesa ainda.
"Deus é meu pastor
nada me faltará."
Que é fome, que é dor?
Deus estava de asas quebradas
quando na minha casa se sentou.
Seu peso meu teto quebrou.
Meu quarto é um charco
e Deus, a meu lado.
Ele não fala
nem me olha.
Deus está de asas quebradas
como eu, está molhado
Deus não chora
Deus não pede
Deus está aqui parado.
Elaine Pauvolid
Elaine Pauvolid 7:34 PM
Respostas até agora:
O caminho de encontrar o outor só pode ser trilhado por quem quer realmente ser encontrado.
elaine pauvolid
Elaine Pauvolid 2:36 AM
Respostas até agora:
Achei meu poema traduzido para italiano, num blog da Itália.
Por que faço poemas
Não se faz poesia por aplauso,
não se faz poesia para o êxito,
não se faz poesia para o prêmio em dinheiro.
Ao menos eu
faço poesia para ouvir o silêncio
e sua voz cristalina lá no fundo
dizendo-me: faça poemas por mim.
Perché faccio poesie
Non si fa poesia per gli applausi,
non si fa poesia per il successo,
non si fa poesia per un premio in denaro.
Almeno io
faccio poesia per sentire il silenzio
e la sua voce cristallina là in fondo
che mi dice: fa’ poesie per me.
Elaine Pauvolid (Rio de Janeiro, 1970)
Ttradução de Piero Martiradonna
E olhem que delícia o nome do blog:
naufragointerra
E não é o que é Jokasta? Uma náufraga em terra?
Conheçam o blog
http://blog.libero.it/atlantico/view.php?reset=1&id=atlantico
Elaine Pauvolid 10:56 PM
Respostas até agora:
Quando morro tenho vontade de voar!
Elaine Pauvolid 11:53 PM
Respostas até agora:
Escrever um poema enquanto se conta uma história
é como escrever um tema enquanto se vive lá fora
Não há por que temer tamanha escuridão
nem morte, nem nada
é o silêncio, a noite e a estrada.
Elaine Pauvolid
Elaine Pauvolid 6:16 PM
Respostas até agora:
O mundo
Para José Maria Dias da Cruz
O mundo nunca foi violáceo,
ou se foi nunca foi só isso, é claro!
o mundo nunca foi óbvio, nem raro.
O mundo nunca foi claro.
Elaine Pauvolid
_____________________
a que horas arde o caos?
____________________
alguém viu o mundo por aí?
Elaine Pauvolid 10:37 PM
Respostas até agora:
tenho um problema sério com alturas. não sei de que despenhadeiro eu caí, nem por qual esquina eu deveria ter seguido.
o certo é que permaneço ainda, por algum tempo no tempo. o tempo estendido, o tempo de einsten. nunca entendi aquele
negócio do tempo e espaço que se dobram... como pode o tempo se dobrar? como é isso? o tempo é algo constante, algo
que permanece. e nunca pode voltar. como se volta o acontecido? o tempo é o ato de acontecer. o acontecimento... ou não?
quem me explica o que é o tempo?
não que eu tenha preguiça de ler os filósofos... não é só isso... aqui na ilha não tenho os livros. tenho eu e vc. sim, vc. ou vc
não é?
Elaine Pauvolid 9:57 PM