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Jokasta viajou.
Mas eu estou em http://www.wix.com/epauvolid/elainepauvolid/apps/blog
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O modo como se ganha a vida
Diz muito de como a vida te ganha




Comentários:

Há pessoas que naão existem
Só sabemos o nome e o rosto sorrindo
Sao avatares de ninguém
Uma vida de sorrisos poses posts frases
Uma vida refletida
Vagando
Sem nome
Sem rosto
Sem paragem
Existem muitos modos de viver
Existe a possibilidade de estar no mundo
Ser nomeado e não existir
Existe a possibilidade de se respirar e não ser
Existe a possibilidade hoje de ser imagem
De não ser ninguem
Existe a possibilidade de desabitarmos o mundo ainda vivos
Estamos em rede ou na rede?
Rede é união e força
Estar em rede assim
Rede é prisão
Quando se está numa e se deixa levar
A imagem é luz
Mas é preciso ter um olho
Olho que não seja mudo
É preciso mergulho e força
É preciso lutar com unhas e dentes
Para viver em rede
E não cair na rede
Claro que vamos conseguir
Em que planeta viveremos quando a rede destruir totalmente este?
Será que vamos precisar de ar?
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Estamos em rede ou na rede?
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A vossa voz constante


Acho que vou criar um perfil no facebook...
Na rede social

Estamos em rede ou na rede?
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Você sabe do meu desencanto



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Amigos, Jokasta viajou, mas eu estou em Desatualizações de Status: http://www.wix.com/epauvolid/elainepauvolid/apps/blog

Elaine Pauvolid
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Quanto tempo faz que estamos?






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Nossa, que gritaria... Cavalinho, ainda existe?

Se eu deixar de existir você também deixa

Mas nao tenho mais corpo

Quando você teve?

Nossa,tive tantos.... Você é que sempre só teve um.

É verdade... E agora?

Agora vamos ver no que vai dar.














Comentários:



Olá.

Olá... O lá OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa



OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOoo





OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOooooooooooooo


OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo................




oooooooooooooooooooooooooooooooooOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO











Comentários:


Deus tão perto
nos poupa
com silêncio



Comentários:

Intervalo para a autora usar este blog como um blog. Já que Jokasta está quieta mesmo...


Resolvi 99% dos problemas existenciais hoje. Toda vez que eu me sentir o mal estar da civilização pesando em minhas constas, vou fingir que sou outra pessoa. Que estou disfarçada de Renata, por exemplo. Como uma roupa de mergulho, vai ser este meu personagem. Ou ainda pensando em Almodóvar, uma outra pele.


O filme do Almodóvar, A pele que habito, fala sobretudo da condição humana. Porque nunca será o gênero capaz de definir o que somos. Se define, aprisiona, castra, humilha e isola... como o que acontece com o personagem do filme.



Cada minuto que passa das 22h aumenta o sofrimento às 7h.







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-Jokasta, você está por aí?
-Não, não estou.
-E quem está me respondendo?










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Sofre em mim uma ilusão
perene cheia de mágoas
numa fonte lúcida de vida

A máscara que carrego
segue estriada, nem sorriso
nem mortalha nas rugas espelhadas
Na flacidez deste rosto
uma multidão a verdade crava

Não sofre em mim vento algum
nem força nenhuma
só vertigem e lugar

E o silêncio não deixa de dizer seu nome
a cada perder de vista soando:
não pense antes de matar.






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Cavalinho, então quer dizer que eu morri...?

Ao que tudo indica sim...

Mas você também, não?

Sim, você morrendo morremos todos.

Mas estamos vivos

Sim, morrer não é deixar de viver. Parece.







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Passagem
0,60 m x 1,00 m





Poemas não sei o que são
sei que nascem e flutuam
como vidência






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Que inocência perdida retorna
a nós, que já não temos
esperança alguma?
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o que te falta é a sobra


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Quanto mais silêncio mais pensamento plástico



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_Então vamos mudar de assunto... Vamos falar de Joana.
_Ótimo! Eu adoro aquele mundo da Joana. Adoro visitá-la...Eu dou até conselhos a ela.
_E o que acha do rumo que está tomando a vida dela?
_Acho excelente. Ela precisa mesmo sair daquela ilha, viver uma vida que possa
dar conta da sensibilidade dela.
_E o que acha de Marie Paulette? Você acha uma boa personagem?
_Acho sim. Acho que dá consistência a história de Joana. Mas, olhe uma coisa, autora, não vamos
ficar aqui falando do livro, do romance que está escrevendo, sim? Porque isso é coisa
que se fale com outro escritor. Aqui comigo tudo é real. Joana é real. Aliás, ela é até mais real
que eu.
_Sabe, Jokasta, Joana me assusta...
_A mim não. Sinto-me muito bem e segura ao lado dela. Aliás, adorei esta outra ilha que você
colocou ao lado da minha.
_:)






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Jokasta, está por aí?
_Estou sim. Minha autora?
_Sim, tudo bem?
_Sim.
_Está achando estranha a visita?
_Sim.
_É que fiquei com tanta vontade de conversar contigo...
_Sério?
_Hum hum
_Sobre o que você quer falar?
_Sobre tudo, sobre o mundo...
_Hum...Me fala então do seu.
_Ah, você sabe. Você tem visitado Joana. Meu mundo é o dela. Dá para ter noção, não dá?
_Sim, pode ser. Mas acho que não tenho a menor noção de como seja um mundo de verdade.
Aqui é só brincadeira...
_Brincadeira?! Você acha mesmo?!!! Eu te achava tão crédula no seu mundo...
_Crédula?
_Sim, crédula...Agora me diz, se você acha que aqui é só brincadeira, é porque sabe
como é o mundo não-brincadeira...
_Evidente!











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Umbigo do sonho
agosto 2011
Elaine Pauvolid
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Quanto mais eu vivo
Mais eu morro


Quanto mais eu morro
Mais eu vivo
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Estar vivo dói
Então eu grito
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Estar vivo dói
Por isso muita gente vive morta
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Estar vivo dói





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Poemas da autora:


Flechar-te

A flecha quando parte
Nao lembra de deus nem de arte
A flecha quando parte
Só quer flechar-te





O mar, o ar e o corpo não têm nada a ver conosco


O mar sempre o mar em nós,
que o vento tem a cor do mar
quando canta.
O ar entrando a plenos pulmões,
o corpo gostando de ser corpo
não tem nada a ver conosco.
O corpo correndo pés nareia
não pergunta nada.
O corpo diz a parte que lhe cabe.
O corpo não sabe
de nós, que não sabemos do corpo,
distintamente iguais.
O corpo, seu grito, corte vestígio em nós
que não cantamos.
Cantemos fazendo elogios ao corpo,
deixemos secar ao sol
o que vem de nós, o corpo.




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Existe algum momento perto de agora que seja depois?










Nao tente tocar o sonho
Ele esta muito perto de você






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Não sei o método nem a forma
apenas sereia estrela
de todo modo, todo jeito
centelha afora.




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_ Cavalinho, tá agitado isso aqui ultimamente, né?
_ É verdade.
_Parece que passaram mil anos...
_É...
_Antes era tão mais... tão mais pantanoso... tão mais só eu, né?
_É...
_Eu fiquei adulta, você viu só?
_É...
_Acho que foi a aparição da cobra...
_ Será?
_Depois que ela apareceu tudo mudou.
_ Ou mudou e ela apareceu.
_Mudou entao lá na autora, porque aqui só mudou quando a cobra apareceu.
_ Tudo sempre é desde o início. Impossível não ser
_...
_...
_Caramba, Cavalinho, você também está mudado.







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Paleta sobre tela
30 cm x 40 cm
técnica mista sobre tela
Elaine Pauvolid
2011


Joana deixou cair a paleta aqui. E a paleta foi absorvida totalmente...
Será que ela sabe disso... Preciso visitá-la. Deve estar se sentindo tão sozinha...






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"O aço brilha no escuro", acrílica sobre papel, 21 cm x 29 cm, agosto de 2011, Elaine Pauvolid


_ Nossa...Que medo, Cavalinho!
_ Medo de quê?
_ Os morcegos nunca tinha aparecido por aqui...
_ Você por acaso pensa que só borboletas e mariposas podem fazer sabá?
_Morcegos são tão escuros...
_ Por isso mesmo, o aço brilha no escuro.
_...




Comentários:

Perto daqui




_Cavalinho, esta moça passou por aqui hoje cedo, você viu?
_Vi não.
_Tenho certeza que era ela no barco que passou bem perto daqui.
_Acho que é sua imaginação. Falando nisso, onde estão seu pai e sua mãe?




Comentários:

Pessoas borboletas



_Cavalinho, esta moça é uma borboleta?
_Não, ela é uma mulher. O que é quase a mesma coisa.
_Hum...
Comentários:


Entrar no site - http://www.wix.com/create/website
Comentários:




O tempo não existe
de fato
são as horas
Comentários:





_Cavalinho, está por aí?
_Sim, Jokasta, fale.
_Veja as mariposas noturnas em sua festa...
_Sim... e acho que há vagalumes também
_Sim... Vamos nos misturar a eles...?
_Não, acho melhor não. Acho que é um ritual... Só deles...
_Um rito? O rito é um estado provisório.
_Que está acontecendo agora.




Mariposas noturnas ou Sabá
Acrilica sobre tela
21 cm x 29 cm, 2011
Elaine Pauvolid



_ Cavalinho, o que é Sabá?
_ Há muita coisa neste mundo, Jokasta.
_ ...
_Não precisamos saber tudo. Às vezes é mesmo melhor não saber.
_Hum...Vou procurar a cobra...
_Ela também não sabe!
_Te peguei!!!


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Isso não é uma instalação







Isso não é uma instalação 1


foto via Iphone
14 de agosto 2011
Largo do Machado, Rio de Janeiro.







Isso não é uma instalação 2
foto via Iphone
14 de agosto 2011
Largo do Machado, Rio de Janeiro






Isso não é uma instalação 3
foto via Iphone
14 de agosto 2011
Largo do Machado, Rio de Janeiro.









Isso não é uma instalação 4
foto via Iphone
14 de agosto 2011
Largo do Machado, Rio de Janeiro.






sso não é uma instalação 5
foto via Iphone
14 de agosto 2011
Largo do Machado, Rio de Janeiro.









sso não é uma instalação 6
foto via Iphone
14 de agosto 2011
Largo do Machado, Rio de Janeiro.
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Estou presa de verdade.



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Não tenho nenhum lugar para ir
Não há nenhum lugar em que eu gostaria de estar
Não há nada além de mim
Neste lugar


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Sobre eles

O verde e suas cores andróginas
O amarelo e seu talento nato


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Descarnado é o sentimento humano
Em forma de esfinge.


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A janela que vejo
É a janela
Que me acena


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Travessia

Venho flor náufraga
Na vastidão do abandono
Entregar-me outra.

Na folhagem em que esbarro
Quimera e caso perturbam
O rosto outrora e para sempre plácido.

Cavam dedos-espátula o verde musgo aquático.
Abre-se a sombra bem mais
Deserta. Atravesso a toca de hastes.

Do outro lado me encontro.
O sol e o mar esperam-me calmos.




Comentários:




Pássaro


o pássaro que trago às mãos
é um pássaro lapidado pelo fogo
veja o pássaro que lhe trago
veja como o bico fere
não canta este pássaro senão em silêncio
silencia e ouve o pássaro
que vem trazido pela mão
escuta também o silêncio do cão
este é o pássaro que lhe trago pela mão



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Anteprojeto para uma vida torpe

Tenho dores no peito.
Bem no fundo do corpo,
um desassossego,uma solidão plúmbea.
E quando a dor aperta,
lanço-me debaixo do livro,
que não acaba.
Sigo asas de sono
e a horda de pequenos anjos
não entendendo porque de mim tão triste.
Sorrio levemente dizendo à boca semi-cerrada:
É sina, é sina...


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não se apagam as luzes do outro lado
e ainda que não haja luz
sempre haverá alguém sem dormir
por testemunha


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o melhor momento da literatura é quando seus autores estão em silêncio


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Visita ao reino da concretização matemática, o reino de meu pai.

Ainda estou no canteiro de obras. Há pedrinhas no solo, que é recoberto por caminhos de madeira. Parecem píeres sem água. São deques, tábuas ladeadas cuja folga me faz ver as pedras. Os engenheiros estão desenhando gráficos, estipulando dados, eles sorriem. Sou a visitante e fico com os lápis de cor, os clips, os blocos, o que houver de brinquedo no almoxarifado. Os arquivos cinza mais não guardam. Não há cheiro de petróleo por lá. Ou se houve ele perdeu-se nos anos, por algum tubo mecânico e veio dar no meu peito. Rasgar minha garganta. As roldanas só podem se mexer por meio da força engendrada por outra. São muitas engrenagens por trás de tudo. Muito longe do amplo espaço das obras. Mas é possível ouvir o barulho daquelas máquinas. O barulho da realidade da concretização matemática. Neste mundo nada sai do eixo senão por algum defeito, por algum cálculo errado. Neste mundo não há fantasmas. Ou estão guardados nos arquivos cinza.

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Eu tenho um dedo
e nada do que você possa fazer
poderá mudar isso


acrílica sobre tela
21 cm x 29 cm
Elaine Pauvolid
2011
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I have a finger.
nothing you do
change that.







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O grito

de repente você se dá conta de que está vivo
e todas as outras pessoas também






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A tirania é medo da solidão. Nao deixe seu filho muito tempo sozinho.




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Vous avez de nombreuses façons de faire l'amour mais aucun de ces moyens vous permettront
de pratiquer la charité véritable. Quoi qu'il en soit, la pratique de l'amour vous rendra plus aptes à survivre.

Peut-être attribué une sœur clarisse, au début de notre siècle


You have many ways of making love. But none of these ways may enable you to practice true charity.
(ouça no google transtate)

perhaps attributed a Poor Clare Sister, at the beginning of our century

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Cuidado com sua pele
nem todos têm plumas


(este poema funciona assim:
cole-o no google tranlate
e faça a tradução para o inglês.
primeiro ouça em português depois em ingles)

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nao sei o método nem a forma
apenas sereia estrela
de todo modo todo jeito
centelha flora
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vida




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Vá em paz
que os dias serão sempre difíceis
vá em frente
que não haverá mais dicas




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Existe um mundo remoto e danoso
onde nao encontro paz







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Deite ao chão
o pão e a semente
o rastro até agora












Dama da noite, 29 cm x 21 cm, acrílica sobre tela
2011
Elaine Pauvolid






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De como cheguei a outra ilha
Em busca dos pecados todos

óleo sobre papel, 21 x 29 cm




Cavalinho, veja a Ilha de Joana...



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O som das coisas é palavra





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_Achei um bilhete debaixo de uma pedra
_Mas você não estava em outra ilha?
_Estive
_Que havia no bilhete?
_Era um recado para Joana.
_Quem é Joana?
_É a moça que vive numa outra ilha. Vive não, vivia, agora ela mora num outro lugar. Na verdade
está indecisa se vai, se fica...Sabe como é, não é? Coisas da vida...
_Jokasta, ou você me explica tudo ou...
_Cavalinho, é você que precisa atravessar o cabo da boa esperança e dar uma espiada do outro lado.
_Mas o que um cavalo amarelo fará numa outra ilha?
_Você pode ir fantasiado de cachorro aleijão.
_Hum...
_É, cachorro aleijão...
_Ai, Jokasta, isso tudo está muito complicado...
_Então nem é bom falar agora do bilhete... Vamos esperar um pouco.
_E você vai voltar para lá?
_ Acho que ela precisa ficar sozinha...
_Nossa autora?
_Não, Joana. ..









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O valor das coisas mortas






Comentários:


na falta do som
a coisa fala




as coisas falam










De vagas ações
morre um cavalo






Ninguém perde tempo




Gozo quando me situo
na porta do vento







Descrevo a vida
o contraste
a parábola
o diptico
o polimorfo
o sólido
o fugaz
o ar
descrevo enredos







O desejo dói
a inveja rói





Sofro de despresença









A morte nos ronda

A morte nos ronda
o tempo todo
qual a hora do ataque?
A quem irá ceifar
Qual será o próximo a nos faltar?
Por que nos persegue a morte?
Por que não nos deixa livres
em paz e juntos?



O som é tão azul
como o verde de sua mão








o homem das cavernas se guiava
pelos desenhos que punha nas paredes
o homem das cavernas não mirava
o desenho que punha nas paredes
será que mirava o homem das cavernas
o desenho que pus na parede?








Pássaro


o pássaro que trago
às mãos, é lapidado
pelo fogo. Veja
como o bico fere;
não canta este pássaro senão
em silêncio. Ouve,
que vem trazido
pela mão. Escuta
o silêncio do cão,
este pássaro
que trago pela mão






Comentários:



A verdade não se comunica







A verdade nunca está onde dizemos a última palavra



Comentários:

Não sei meu livro cerrado
Nem meu livro cobre
que me faltam os bordados
As cristaleiras, os aparadores de madeira maciça.
Onde os costumes
que deveríamos seguir?
Onde nosso mundo
Sob folhas secas macerado?
Onde os gritos infantis
suor escorrendo rostos?
Onde culpas desfeitas
depois de confissão e arrependimento?
Onde os dias claros?










Cavalinho, cavalinho, cadê você? Eu voltei... Tenho novidades. Na verdade vim buscar você.
Vamos até uma outra ilha... Achei uma porta, um portal para outra ilha...

Você não quer vir? Prefere ficar aqui? Tudo bem. Fique então eu vou voltar para ... Beijos.








O sol vai se levantar de novo
Dia após dia até cansar-se sol

Comentários:

Outra ilha, além da minha...
Vou aportar... Nossa, quantos gatos...Esta ilha parece pertencer a eles...
Como está escuro...Vem comigo.





Jokasta ao luar (ou Jokasta a caminho de outras ilhas ou Jokasta a caminho de outros mares
ou Jokasta a caminho de outros luares ou Jokasta a caminho de outros lares )
óleo sobre papel, 21cm x 29cm, 23/07/11
Elaine Pauvolid


Mar e rochas transparentes
testemunhas do sol.
De outro lado, folhas e húmus,
sapos e água lodosa
o desmanchar entre os dedos morte,
Entes de ausências
distantes e idênticos
Entre eles me refaço.


*nota da autora: o que você, meu querido e raro leitor está fazendo aqui? Você precisa
ir para a outra ilha. Clique nas palavras em rosa. ;)



Travessia

Venho flor náufraga
Na vastidão do abandono
Entregar-me outra.

Na folhagem em que esbarro
Quimera e ocaso perturbam
O rosto outrora e para sempre plácido.

Cavam dedos-espátula o verde musgo aquático.
Abre-se a sombra bem mais
Deserta. Atravesso a toca de hastes.

Do outro lado me encontro.
O sol e o mar esperam-me calmos.






Não dorme o dia
Por medo da noite
Roubar-lhe a luz

Nem dorme a noite
Por medo do dia
Roubar-lhe os lunares raios

Vagam insones enquanto
Sonhamos luares límpidos e dias de sol

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Anuciação, óleo sobre papel, 23/07/2011, 21 cm x 29 cm, Elaine Pauvolid








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Nenhum lugar para ir
Nenhum lugar para estar
Nada além deste lugar



















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As coisas não desistem






As coisas dexistem















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Azul silêncio


















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Nós em silêncio estamos


















As coisas só existem em silêncio







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O ponto de contato vai bem além da verdade.










O tempo infinito cabe neste momento

















Estamos aqui e para sempre















Para sempre é agora












Para sempre soube a cobra














Que rasteja e nos ri
nós que preocupamos o amanhã
nós que olhamos para trás
nós cheios de esperança
e medo












Nós não sabemos















Nós em silêncio basta






























Comentários:



Um luar para Jokasta




Estou gostando de não ser, de não saber. Estou sendo.



Comentários:

Sofre em mim uma ilusão
perene cheia de mágoas
numa fonte lúcida de vida.

A máscara que carrego
segue estriada. Nem sorriso,
nem mortalha nas rugas espelhadas.

Na flacidez deste rosto
uma multidão a verdade me crava.

Não sofre em mim
vento algum, nem força nenhuma,
só vertigem e lugar.

A morte não pode nascer em vão
o silêncio não deixa de dizer seu nome
a cada perder de vista soando:
não pense antes de matar.






A máscara







Poemas

Poemas, nada sei disso que são
sei que nascem e flutuam
como vidência






Comentários:

Ciência de morta


Emergir do ocaso
Sem encontrar a margem
Que me faz redoma
Acompanhar o parto
Com ciência de morta










_ É hora das corujas aparecerem e me devolverem o juízo. Onde estão as corujas?

_ E você precisa mesmo delas depois de tudo que aconteceu?

_ Mas justamente por isso...

_ Você não entendeu nada, Jokasta...










Comentários:


Jokasta, eu acho mesmo que o parto lhe fez muito bem. Você está mais charmosa, mais misteriosa...







Jokasta depois do parto







O que era tão bonito, a Falena Gabriel, a sua alegria de tornar-se adulta, por que assim tão rápido
se desfaz em dor e desespero?
Quem é esta Falena Coruja senão seu filho, sua filha, Jokasta?
Aceite-os e você vai crescer de novo.






Testemunha do ocaso. Saiu me arrebentando, dilacerando tudo. Não era filho nem filha aquilo não!
Fiquei como um resto de pele jogada no chão. Saiu de mim, levando junto alma e carne.
Agora o que vai ser de mim? Mal desponto já me estraçalho. Vai ver era isso que me impedia
de ser adulta. Era o medo de me tornar só pele, invólucro do nada.














_Sou Falena Coruja, brotei de Jokasta. Ao contrário do que pensava, ela não teve várias falenas.
Apenas eu nasci como testemunha.






Pássaro


o pássaro que trago às mãos
é um pássaro lapidado pelo fogo
veja o pássaro que lhe trago
veja como o bico fere
não canta este pássaro senão em silêncio
silencia e ouve o pássaro
que vem trazido pela mão
escuta também o silêncio do cão
este é o pássaro que lhe trago pela mão



Comentários:

Cavalinho, onde está você? Tenho tantas novidades. Eu fiquei adulta. E você não sabe,
Cavalinho, eu encontrei a Falena que tanto procurei. Chama-se Gabriel. Não é estranho?
E ela é tao linda, ou ele...Ele me disse, ou ela me disse que de mim brotarão muitas falenas.
Veja só, eu que tanto procurei por elas, vou gerá-las... Não é ótimo tudo isso? Mas onde
está você?





Falena Gabriel


















Jokasta adulta - 08 de julho de 2011 - acrílica sobre papel - 44 x 33 cm


Estava calmamente com a coruja azulada a procura das borboletas noturnas.
Minha autora resolveu me fazer crescer. Tornou-me adulta e grávida.


Eu achei fantástico. Estou adulta! Isso me facilitará a vida na ilha. Os adultos
são seres acabados. Talvez nem precise mais da ajuda da coruja
para a caça às borboletas noturnas, as falenas.

















Das confidencias de jokasta

Acho que não falo da vida
acho que falo da não vida
a vida que se pode ter
num poema do Bandeira
ele diz da sua vida inteira
como queria ser criança
a criança que não foi
a que ficava atrás do vidro
então, eu não sou a única
ainda que adulta
ainda que morta
ainda assim, não sou
este estado mesmo de não ser
e gosto às vezes de estar com gente
é quando vou ao mundo
e abraço tantos
e beijo todos
e me admiro de todo mundo parecer existir, inclusive eu
e que todos são iguais a mim
Todos aflitos
fugindo
correndo
tentando
procurando o que não se acha
cada um a seu modo
mas é a mesma ferida
a mesma inadequação
por que não desistimos
por que estamos sempre a caminho?







Meus filhos todos mortos
um dois três quatro
e já nem conto o quinto
que de tão morto
já nem sabe que foi
filho







Se eu precisasse de destino
seria um rio...










Cobra, onde estão suas escamas? Deixe-me passar a mao na sua pele.
Ao contrário, de baixo para cima, sentir suas escamas, como são os peixes.
Cobra, você é peixe? Quebrei umas escamas suas. Farei um colar com elas.
Não são douradas suas escamas. Transparentes. Parecem minhas unhas...
Cobra eu estou em você. Toda a sua pele está coberta por unhas. Cobra, você é mão.
Minhas mãos são duas cobras, sem escamas. Sem unhas. Minhas mãos.












Coruja sempre perto. Sempre presente. De longe olhando. Coruja está vendo?
Não, não está. Seu olho nos parece notar. Mas não nota. Ela está a espreita de
ratos e outros bichos. A coruja não nos olha. Seus olhos não são para nós. Ela parece
estar sempre me olhando e me dizendo quem sou. Por isso ela está aqui.
Desde sempre aqui. A coruja azulada. Os olhos da coruja cega.












_ Cavalinho, vamos caçar borboletas noturnas hoje?
_Como faremos?
_Eu chamo a coruja. Ela as procura para nós.
_Mas faz tempo que não vemos a coruja...
_Nada, ela sempre esteve aqui nos vigiando.
_Onde?
_Quando. A pergunta que você deve fazer é "quando?" e não, "onde?"
_Como?
_Onde não, a pergunta é quando.
_Não entendi.
_As corujas sempre estiveram aqui.
_Continuo não entendendo...
_É, você, parece, não vai entender nunca...














_ Cavalinho...
_Diga, Jokasta
_As borboletas noturnas nao seriam cobrinhas com asas?
_Ou lagartinhas...
_Mas lagartinhas nao deixam de ser cobrinhas...
_É, se parecem. São um pouco oblongas...
_ hum...Então Deus pode dar asa a cobra. Se quiser...
_Não, Jokasta. Todo mundo sabe que Deus não dá asa a cobra.
_Mas porque ele não quer...
_Sim, sim...
_Porque se ele quisesse daria asa a cobra.
_Acho que sim.
_Mas por que Deus não quer dar asa a cobra?
_Porque a cobra já é ruim. Com asa então...
_É por isso?
_Imagino que sim Jokasta. Acho que é por isso que Deus não dá asa a cobra.
_Mas a cobra daqui não me parece ruim.
_Você ora diz que ela é boa, ora diz que ela é má...
_Acho que ela é as duas coisas... Pode ser as duas coisas... Mas porque Deus acha que ela é má?
_Tem uma história antiga, que ela teria seduzido a humanidade. Por este motivo a mulher
e o homem teriam sido expulsos do Paraíso. Acho que Deus tem pinimba com ela desde aquela época.
_Nossa...Deus não esqueceu isso?
_Jokasta, o que você quer? Quer dar asa a cobra?
_Não, eu só estava pensando...














_ Eu sinceramente, Dona Cobra, acho que a senhora está muito melhor agora!
_ Você acha?
_Sim. E foi mesmo a senhora que pediu dourados, escamas...
_ Mas onde estão minhas escamas?
_Ora, ora, Dona Cobra, a senhora não pode senti-las?
_Eu nao tenho mãos...
_Ah, então quer ser um lagarto?
_Onde estão minhas escamas, Jokasta?
_Se a senhora não as sente por falta das mãos, não saber ser cobra...
_Então eu não sei ser uma cobra?
_Parece que não, sente falta das mãos...
_...
_Pense, cobra, pense...Como dizem por aí...Deus não dá asa a cobra...






























Cobra cavalo-marinho



_Cobra... Ela resolveu te fazer mesmo...
_Sim... E eu estava tão já feliz do jeito que estava... Agora sinto que sou mais. Mas...
_Você preferia ser aquela cobra preta com pintas cor de cobre?
_Eu estava acostumada já a ser daquela maneira...
_Nossa... A vida é mesmo a vida é mesmo.








Comentários:




- Nossa autora está numa ilha. Está num casebre em uma ilha.
- Como você ficou sabendo disso?
- Estive lá com ela.
- Como?
- Ela quando viu a ilha pensou na gente.
Comentários:

POR MISERICÓRDIA


Por traição, cantas teus versos,

contas teus segredos

por eles e para livrar-te deles.

Que serás após?

Teu próprio verso?



Nunca serás um outro a contar de ti

em utopia generosa de viver!

Que outro existiria,

se é às tuas costas

que ardem as verdades

e o teu sangue é que borda
o que trazes em páginas?


Trai, evola-se....

Só o poema te move

Em alimento de alma receosa

do eco de uma outra voz desejosa.



Por misericórdia hão de descobri-te

outros iguais a ti.

E clamas por isso

a cada vez que tremulas

as alvas bandeiras tuas,

a que chamas de "teus livros".



A música cuja letra não é tua

é a mesma que saúda

inocentes sem traição alguma,

e é isso que transforma

teus berros em versos claros,

não mais a chuva que circunda

tuas cirandas de solidão e bruma.


Comentários:

Enleio

Rente ao corte
um filhote
um serrote
um sacerdote
um bisonte
um elefante
um macho
um mancando
outro, morto
um nascendo
outro, torto
um correndo,
outro, lendo.
Um feliz,
outro vendo.





Viver é partir.



Como se viver não fosse uma propriedade nata de quem vive...



Não sei que navios aportaram
Sei que me destruiram o castelo

Confusão ou Pó

E o súbito relance de sua voz
fez mover-se inteira
em tanto desafio e medo
e lucidez e desvario
amontoados como cinza sobre o tinteiro
sabe-se lá por que tamanha confusão
ainda se fazia necessária
a ela, sozinha na sala, que chorava



Os sonhos são quase ciganos
nos vestem de ilusão
se deixamos


Que morte não será lenta?

Comentários:

Os cães somos nós mesmos
com medo



Comentários:






_Cavalinho, por favor, acode!
_ O que foi, Jokasta?
_Foi a cobra.
_Que tem ela?
_Ela vai comer meu cachorro.
_Como sabe?
_Ela está cheia de si. Está toda colorida, de negro e ocre e tem pintas amarelas.
_Que tem isso?
_Está cheia de confiança... E nesses casos assim, ela vai sair por aí e vai deparar-se com o meu cãozinho inocente e o vai comer.
_De onde tirou tanta certeza?
_Dos fatos, dos fatos.
_Que fatos?
_Cobras não entram na história para trazer alegria. Elas trazem desgraça.
_Está exagerando... Até ainda há pouco você estava amiguinha dela e até a consolava...
_ Mas eu errei. Estava errada. Ela me iludiu. Ela é uma cobra.
_...
_ Você mesmo não me falou isso. Que deveríamos tomar cuidado com ela?
_ Mas a coisa tomou outro rumo. Ela está apenas feliz com suas novas cores...
_ Não seja ingênuo, cavallinho! Mas se você nao quer me ajudar, eu vou procurar o meu cachorro sozinha...
_ Cuidado com as borboletas noturnas...






Comentários:

_ E então, Dona Cobra, satisfeita?
_ Nossa, estou cheia de contentamento...
_De contentamento tinta?
_Isso, exatamente, estou de contentamento tinta!!!
_Acho que ela poderia ter feito bem melhor...
_...
_ O sapo é bem melhor...
_ssssssssssssssssssssssssssssssssss... Pode parar, querida. A cobra aqui sou eu!

Comentários:



Comentários:


O mundo não se alimenta de vento
o vento que se alimenta de tudo



Que diz silêncio mudo?


Comentários:

_ Jokasta, veja o que ela me fez...
_ Ela quem?
_ A tal que nos cria e recria a seu bel prazer...
_ A autora?
_Ela mesma. Ela me apagou.
_Não, ela não te apagou, só te fez da cor do mundo. Ainda bem que vc tem estas manchas singulares. Assim, podemos saber onde está...
_Jokasta, eu quero as cores douradas, prateadas, como as do sapo olhos de laca e da coruja azulada. Até o cavalinho amarelo é amarelo, que tem a ver com dourado. Por que eu tenho que ser da cor do mundo. Um mundo que nem é o mundo mesmo?
_Como assim não é o mundo mesmo?
_Jokasta, eu quero cores saltitantes e luzentes. Eu quero ser dourada, prata, eu quero ter escamas.
_ Cobra, ela vai saber disso e assim que puder vai providenciar.
_ Jokasta, eu quero isso agora.
_ Nem tudo que queremos, temos.
_Ora, nao me venha
_Ainda que eu nao viesse, cobra, nao tem jeito. Eu nao tenho tintas.
_sssssssssssssssssssssssssss... eu quero ser dourada.
_ Uma cobra dourada... nunca vi...
_mas existem muitas e ainda mais aqui que é um mundo que nasceu da imaginação de uma pessoa. tudo é possível.
_Nem tudo. Há coisas que nem a imaginação é capaz de criar.
_ Neste caso, seria recriar. Se há coisas que a imaginação nao é capaz de criar, estas coisas que você cita, já exsitem. a imaginação recria.Mas tudo é possível para quem cria ou crê.
_Se for fazer um mundo novo, totalmente criado, não podemos prever, nem querer.
_ Eu sei que quero ser dourada.
_Acho que você já é uma cobra dourada.





A cor que se pensa cor
Não é tão cor
Quando se pensa dentro.









Comentários:

A cor que se pensa cor
não é tão cor
quando se pensa dentro



Tudo é encantamento. Onde há a previsão se desfaz a verdade, a arte e o passar do vento. Vira vácuo. Entropia. Passemos.



Não tema o rinoceronte






Comentários:

_ Senhora cobra, como vai?
_ sssssssssssssssss....
_ Eu e o cavalinho amarelo, que nao está aqui comigo, mas pediu que o representasse, gostaríamos de lhe dar boas vindas.
_ssssssssssssssssss...
_ Esperamos sinceramente que goste muito de nossa humilde ilha.
_sssssssssssssssssss... sim, acho que vou gostar bastante. Mas nao gostei do meu desenho.
_ como não?
_ nao gostei da minha imagem. O sapo é bem mais colorido e brilhante...
_ É por causa da superfície lisa dos sapos. Eu amo os sapos. A superfície lisa dos sapos...
_ sssssssss... foi você que me pintou?
_ Não. Quem pintou todos nós foi a autora desta história. Ela vive em outro mundo e nós nao temos acesso a ela.
_sssssssssssssssss
_ Mas nao se preocupe. Ela tem acesso a nós. Se a senhora diz que nao gostou de suas tintas, ela vai ler certamente e certamente vai cuidar disso. Ela tudo vê.
_ssssssssssssssssssssssssss....
_ Concordo.
Comentários:

_ Cavalinho, você acha que a cobra é capaz de comer as falenas?
_ Cobras não comem falenas. Sapos comem insetos. Cobras atacam seres grandes como eu e você.
_ Nós não somos grandes.
_Ora, Jokasta, você me entendeu...
_ Não entendi não... Você acha que aquela cobra que tanto eu quis um dia aqui irá nos atacar?
_É bem possível... Ela é uma cobra e vc viu que ela não se assemelha ao Javali.
_Lá isso é verdade... Ela não é fofinha...
_ É, ela não é fofinha.
_ Mas eu a amo tanto. Sinto por ela uma forte emoção.
_ É paixão... É isso realmente acaba de virar o paraíso. E isso quer dizer que em breve seremos expulsos dele.
_ Ora, você está querendo dizer que em breve seremos expulsos daqui?
_ Sim, você está seduzida pela cobra. Você fará tudo que ela quer e em breve estaremos por aí, perdidos e expulsos. Será a queda.
_ Como você sabe disso?
_ Esta história é antiga...







Comentários:

Isso aqui virou o paraíso depois que chegou a cobra.


_ Cavalinho, hoje descobri sobre as borboletas noturnas. Inclusive uma espécie: falena!
_ Vamos procurar por elas?
Comentários:


_ Então, cavalinho, que tédio, né?
_ É.
_ Você viu que agora temos uma cobra?
_ Vi sim...
_ Hum...
_ Bora lá mexer com ela...
_ Vamos.



Comentários:


Meu cachorro matou uma baleia
e eu nao quis saber por quê.




Comentários:



sapo olho de laca


Amo os sapos
o som e a superfície lisa dos sapos



Comentários:

Aqui temos uma cobra



ELAINE PAUVOLID7:53 PM
Comentários:



Deus o silêncio abraça

Comentários:


tudo que ocorre quando morre
tudo que vaza e guarda
tudo que torna a vida menos nobre
tudo isso retorna quando você dorme



Comentários:

Há horas em que nao quero que venha. Não quero testemunhas. Há horas em que eu quero, como agora, através de minha unha arrancar qualquer sinal de contato com o resto para brincar com o mundo apagado, sem olho. Não a ilha, a minha ilha, mas, esta sua cidade, está que me está mirando através dos seus olhos. Quereria toda ela deserta. As pessoas me incomodam, me atrapalham. O mundo poderia ser inabitado. E eu seria nada, seria também um não habitante de um mundo não habitado, tudo quieto da noite, nenhum sinal, nada...um mundo sozinho...igual a mim, como agora.


Comentários:


Que inocência perdida retorna
a nós que já não temos
esperança alguma?

Comentários:

Então, eu que já era o que sou hoje, gostava muito de brincar de pintar minhas unhas com as fitas das fronhas de meus travesseiros. Todas elas tinham quatro fitas, duas em cada extremidade da boca de cada fronha. Eram muito delicadas e com a ponta meio desfeita pelo uso, com fiapos. Esse desfazimento da ponta, tranformava as fitas em pincéis muito macios. Esta brincadeira se dava nas tardes em que minha minha mãe
pintava suas unhas. Eu invariavelmente sentava ao lado dela para seguir o ritual. Não usava esmalte, apenas a mímica dos movimentos, deliciando-me em sentir o geladinho da ponta do pincel na extremidade encoraçada de meus dedos. Nós duas à volta de uma mesa de mármore redonda, cujo centro continha um vaso de cristal azul com uma flor. Eu também gostava, nesses momentos, de subir na mesa e fazer movimentos circulares com a mão sobre o vaso e a flor a espera de uma mágica. O vaso tornava-se a garrafa de um gênio. E a mágica era mesma esta do movimento. Ora minha mãe fazendo a unha, ora eu fazendo a mímica do pintar das unhas, ora eu tentado a mágica do gênio e o silêncio filmando a cena que escrevo agora. O silêncio desta memória que me justifica.




_O que são memórias, Jokasta?

_Não sei e não são minhas...

_Mas de onde estão vindo...?

_ Só podem estar vindo da autora...

_Mas por quê?

_Deve estar precisando desabafar... Coisas de gente...

_ (...)







Um amordecimento me constrange
quem é a menina que brinca no chão da sala
e tem certeza de futuro
sendo vida numa flecha seguindo rumo?
A menina está mesmo morta?
vejo-a memória muito claramente
sou o fim da flecha.
O que nos separa é processo,
toda a vida é o fim de reconhecermo-nos.
Isso já aconteceu e volta
o tempo todo porque ainda vivo
e ela, apesar de morta, se repete eternamente
para que a ponta da flecha só
não se alcance com a morte da memória.







não existe dor maior que o tempo
nem o passado
a maneira como vamos nos sentindo envoltos de tempo
sem termos o tempo de dentro dito de outro modo
o tempo vai nos moldando, nos dizendo que nao somos
e nunca seremos
o tempo vai criando em nos lacos e costumes
o tempo um dia acaba?

Comentários:

Que bom que veio. Fique à vontade. Estava mesmo esperando por você.


Estou inerte
Presa
Presa
Presa
Presa
Presa à pressa




_Jokasta, há muito que nós não vemos ninguém. Há muito que não vinha luz aqui...

_Besteira... Sempre estivemos luzidios... Estávamos muito vivos. Sendo gerados o tempo todo...

_...

_Você está atrapalhando a minha pescaria...

_ ...




_______________________________


_Olhe mas quem vem lá?!!! Veja se não é o nosso orgulhoso Javali...!!! Mas vejam só... E vem todo cheio de si... Pensa que é uma fera e não passa de um bichinho fofo...

_ Mas parece ser mesmo o mais feroz entre nós...

_Sim, perto de um cavalinho azul que é amarelo e uma menina de treze anos que anda pelada...

_Temos os sapos também...

_Os sapos são anjos...

_Sabe, Jokasta, nós não temos uma cobra aqui....

_Aqui não é nenhum paraíso...

_ (...)



__________________________







Comentários:

Visita ao reino da concretização matemática, o reino de meu pai.

Ainda estou no canteiro de obras. Há pedrinhas no solo, que é recoberto por caminhos de madeira. Parecem píeres sem água. São deques, tábuas ladeadas cuja folga me faz ver as pedrinhas. Os engenheiros estão desenhando gráficos, estipulando dados, eles sorriem. Eu visito e fico com os lápis de cor, os clips, os blocos, o que houver de brinquedo no almoxarifado. Os arquivos cinza mais não guardam. Não há cheiro de petróleo por lá. Ou se houve ele perdeu-se nos anos, por algum tubo mecânico e veio dar no meu peito. Rasgar minha garganta. As roldanas só podem se mexer por meio da força engendrada por outra. São muitas engrenagens por trás de tudo. Muito longe do amplo espaço das obras. Mas pode-se ouvir o barulho daquelas máquinas. O barulho da realidade da concretização matemática. Neste mundo nada sai do eixo senão por algum defeito, por algum cálculo errado. Neste mundo não há fantasmas. Ou talvez estejam guardados nos arquivos cinza.




Comentários:



I

O cão procura o dono
Como o homem, a chave




II

O silêncio como contorno da mão

Ao silêncio o vasto e lento não
o contorno como solução da mão
o silêncio como contorno da mão
o verso, a fronteira, o nunca
senão contorno.
O vazio, não.

O silêncio como contorno da mão.


III

Noite

A madrugada é só
O som de meus passos
E minha risada a espera
De garrafas de chegada
Talvez a que tarda
Seja algo de mim, que aguarda.


IV

Sofre em mim uma ilusão
Perene cheia de mágoas
Numa fonte lúcida de vida.

A máscara que carrego
Segue estriada. Nem sorriso,
Nem mortalha nas rugas espelhadas.

Na flacidez deste rosto
Uma multidão a verdade me crava.

Não sofre em mim
Vento algum, nem força nenhuma
Só vertigem e lugar.



V

Ciência de Morta

Emergir do ocaso
Sem encontrar a margem
Que me faz redoma
Acompanhar o parto
Com ciência de morta.


VI

Prece

Vós de corações tão duros
Tão sem dentes vossas almas
Tão profundas cicatrizes
Tão sem medo os motivos,
Ficai à vontade no mundo vosso,
Que nós, os humildes, os mutilados, os tristes
A outro mundo seguimos
E somos mudos.




VII

A barca

O chumbo do mar movimentava-se
A fumaça ajudava
A cor a ser chumbo
O mar a ser o que é mar.
O ato da barca
De tomar pessoas a bocadas
Ajudava barco ser lâmina
No chumbo da água.






VIII

Travessia

Venho flor náufraga
Na vastidão do abandono
Entregar-me outra
Na folhagem em que esbarro
Quimera e ocaso perturbam
O rosto outrora e para sempre plácido.
Cavam dedos-espátula o verde musgo aquático.
Abre-se a sombra bem mais
Deserta. Atravesso a toca de hastes.
Do outro lado me encontro.
O sol e o mar esperam-me calmos.



IX

Anátema

Palavra tema corpo pedra poema
Esfera densa sobre cais
Voz esquecimento
prenhe de transparência

No silêncio escolho
Profundidade, outro olho.

A voz orvalhada não se prende
A constatações construtivistas.
Tece abandona, qual nome, assomo.

Sem glórias, só prenome,
Voz, interlocutor constante.
Cega, fala, canta e dança
Refaz-se toda noite
Co-substancia em versos aristocráticos,
Desconexo sobre o rio ferruginoso,
Todas as dores do mundo
A espera do salto.



X

As coisas acontecem para mim no espaço entre o espelho e o ar.






Comentários:

A gente sempre volta para onde nunca deveria ter saído



o velho portal da noite
aguarda alguém insone
alguém que sofra do mundo
e que ainda saiba respirar
não, meu amigo, não comemos criancinhas
somos inofensivos
fechem as vidraças as tia velhas
e seus sobrinhos gordos não se contaminarão
vem lá a poesia feita de silêncios e feridas
perguntas não respondidas
e a palavra dita baixo: desgraça
desgraça, desgraça, desgraça




Os olhos cegos da coruja

Os olhos cegos da coruja
carregam-me em sua sombra.
Nunca tive uma ave coruja
...talvez por isso me siga.
Tive cães, gatos, outros pássaros e flores,
nunca a coruja cega.
E ainda assim dói em mim a falta de luz,
cuco sem relógio,
galo sem manhã.
A coruja, lado cego
de onde penso,
a total falta de espelho
que me olha.






_ Onde esteve por todo este tempo?
_ Eu não estive por tempo algum
_ Onde esteve por todo este tempo?
_ ....
_Agora que está, abrace-me.
_Não sinto vontade
_ Mas eu sou sua mãe.
_Não. Você só mexe o seu caldeirão.
_ Mas isso não me impede de ser sua mãe.
_ Por que só agora que viu que posso não existir, você dá sinal de sua existência? Preferia quando era apenas uma figura feminina que mexia o caldeirão... Prefiro que nada exista. Nada intefira. Prefiro não estar....
_ Então por que voltou?
_Não sei. Sei que tive que voltar. Alguém clamou por mim. Eu vim...
_Mas se é tão misantropa... Se quer a solidão mais dura... Mais pétrea...
_Quem disse que que quero isso...?
_Você.
_Não quero nada. Nem mesmo existir. Mas isso não é uma questão de escolha.
_Não...? Eu acho que é e que você quis voltar.
_Mas ainda assim não te quero abraçar.







Comentários:

_ O importante é que aqui posso tudo.
_ Sim vc pode. Aqui é sua existencia.
_ E vc só existe porque eu existo.
_Isso também é verdade. Mas nao me impede de te odiar e querer te matar.
_Se vc me mata, Javal, vc deixa de existir...
_Estou pouco me lixando se existo ou nao...
_Entao nao liga.
_Não, não ligo.
_Por que nao tenta me matar?
_ Boa idéia. Está morta.
_ Estou?
_Sim está morta e casta!
_ Impossível. Porque eu não sou um personagem, isso aqui não é uma história.
_Mas eu acabo de te matar.
_ Não, você me salvou.





Comentários:

quantas quimeras nos atropelam os dentes
e quantos assomos de rancor e angustia nos cortam a carne
trêmula de miragem
um oasis
uma volta
um mundo
o retorno
o atropelo
a corda bamba
o desassossego

Comentários:





_ Eu nao tenho a menor idéia de quem seja esta tal Jokasta, nem muito menos o que eu estou fazendo aqui...Onde
estão os meus arbustos!? Onde estão os meus arbustos!!!

_ Senhor Javal, nao se chatei...

_ Ora, ora... vou matar você pelo simples prazer de matar...

_ Não... Você não vai... Você é um pouco fofinho...

_ Fofinho?!!!!!

_ Sim, você nao convence como bicho assassino...

_ Ah, não?

_De jeito nenhum...

_ Mas eu nao sou seu amiguinho...

_ Você pode nao ser meu amiguinho... mas nao vai me matar tampouco...

_ Entao, qual minha função nesta história que nao acaba?

_ Ajudar-me a contá-la

_ Mas ao que sei, pelo pouco que pude ver, isso é um diário...

_ Sim e você faz parte de minha vida

_ Que inferno!!!!

_ Concordo...

_Eu vou ficar aqui contigo?

_ Por toda a eternidade...

_ E o que faremos?

_ É exatamente isso que eu me pergunto o tempo todo...


Comentários:


Cavalinho, eu vi o Javal!!!! Eu o vi!!!
_ Você diz, o javali?
_ Javal, Javal, Javal!!!!
_Quem é Javal?
_Javal é o nome dele! O nome do javali!
_ E como sabe?
_ Eu vi!
Comentários:



Comentários:

_ Você não vem comigo?
_ Prefiro ficar em terra... Você dá uma olhda lá e me diz...
_ Ok...
Comentários:


Comentários:

_ Então, Cavalinho, vc acha que vamos encontrá-lo?
_Certamente que sim
_ Por onde começamos?
_Que tal atrás de alguns arbustos?
_Podemos encontrá-los?
_Sim, arbustos sempre encontramos. O problema é ter um javali.
_ Ou será que devemos antes pecorrer todo o lago. Fazer o contorno do lago. Todo ele...?
_Você prefere?
_Acho que sim...
_Então teremos que ter um barco...
_Mas o barco eu só tenho um... e nao é de lago, é de mar... de mar ou rio muito fundo...
_O da baleia diuturna?
_Sim, este mesmo.
_Serve.

Comentários:

A solidão é uma impermanência
Comentários:

Eu não sei o caminho. E percorro. Corro freneticamente tendando alçar o mesmo. Eu temo não conseguir. No entanto eu teimo. Este é meu modo de sobreviver. De encontrar alhguma coisa afinal neste emaranhado de sensações que não me deixam. mas se sou algo em que me mexo, sou sempre a mesma corrida. a mesma ausência. E não sei por que motivo eu percorro. Não sei por que motivo eu tento alcançar, ou tento fugir, ou mesmo restar. Não sei mesmo. E permaneço aqui. Seria provisório sempre estar. Ou é melhor viver sem permanência? Afinal, sou apenas um personagem. Por que querem me tirar desta ilha? Por que de repente o cavalinho, que era meu porto seguro, me incomoda? Por que ele quer me tirar daqui? E para onde eu vou?

_ Jokasta, calma. Primeiro de tudo: calma. Onde você está?

_ Estou aqui na minha ilha. E de uma hora para outra percebo que minha autora acha que eu devo sair daqui... Que deve haver um final e que o final é eu sair da ilha...

_ como você pensa isso? quero dizer, o que a faz pensar que seu destino é fora da ilha?

_ vc acha normal uma pessoa ficar neste estado que eu estou. Anterior a puberdade, ou quase na puberdade, mais ou menos 13 anos... porque é essa a minha idade... vivendo com um cavalo amarelo, coruja, um pai e uma mãe ausentes e que na verdade nao sao meus pais, enfim? vc acha normal?

_ e o javali?

_ O javali?

_Sim, onde anda o javali?

_ Nunca o vi.

_ Então, façamos uma coisa: vamos procurar o javali!

_ Boa idéia, cavalinho.... vamos!

Comentários:

Temo errar
que errarei para sempre
Temo doer
que doarei para sempre
Temo morrer
que morrerei para sempre
e temo mais ainda viver
que viverei para sempre.



Só dói viver
Comentários:

Daqui de onde estou escuto quase um tumulto...
Não teno medo dos outros. Assusto-os e eles me assustam. Mas, não é nada. É um sonho
que desconcerta. E falta o tempo. Eu fico para trás...



Comentários:

Da última vez fui pega por um susto! Susto
se pega ou é pegado? Se pega um susto...
se toma um susto... Sim, toma-se um susto.
É de assalto que ele te pega. O susto te
pega no assalto, de assalto....É bom pegar
sustos...Não adianta, parece que o susto tem
mesmo dupla-mão. Pega e é pegado. Mas, só
é pegado porque vivemos à cata. Por quem vive
à cata. Eu ando à cata e tentando provocar
um sustos... Eu assusto?



Você tem mesmo certeza de que todo mundo é bom?

Comentários:

Se o tempo é mesmo existente, o que sei que não é, então
por que não existimos fora do tempo? Este é o tipo de indagação
que não tem resposta. E por que é possível fazê-la? Porque
gostamos de criar perguntas. Gostamos de criar. Do
contrário de que valeria existir,
ainda que o tempo existisse?
Peguei vc, hein?

Diga-me como se escreve um diário? Vivendo. Pois é, então, diga-me
o que é viver? Viver é.Por isso abro meus olhos e estou viva. E conto:
hoje abri meus olhos. Daqui a pouco vou fechá-los e continuarei viva,
e então o diário prosseguirá: ontem além de abrir meus
olhos, os fechei para dormir. E assim vão-se os dias,
aparentemente em vão.

Comentários:

Eu não tenho muita coisa que interesse a um diário.
Porque eu tenho uma vida inexistente. Na verdade,
quem existe é minha autora.Que teve essa idéia louca
de me querer dar existência por aqui. Não sei muito bem
o que ela quer de mim.

Onde moro? Moro numa ilha. Sempre morei aqui, desde
que nasci. Eu já nasci com o corpo que tenho hoje. O
que vcs podem ver no cabeçalho deste blog. Na minha ilha
moram comigo um cachorro, um dragão, uma coruja, um javali
e muitos sapos. Existem outros bichos também, mas, estes
são os que me acompanham mais. Tenho uma mãe bem velhinha
que cozinha noite e dia e um pai que não fala, só pesca. Ele
pesca o dia inteiro e tem uma barba bem comprida. Eles cuidam
de mim desde que nasci. Mas, não sou filha deles, não. Na verdade
não sei como nasci. Quando dei por mim já existia. Bem, é bem
provável que eu não exista mesmo. Nossa como isso é triste...
Mas, se vc começar a acompanhar esta história, talvez, assim
eu possa, enfim, existir de verdade. Aguardo suas visitas e comentários.
Tchau, até a próxima.

Comentários:

_Cavalinho...
_ Hum...
_ Você está acordado?
_ Não.
_ E como me responde?
_Não sou eu.
_ Vamos ficar aqui para sempre, eu e você?
_ Jokasta, quem sou eu?
_ Acho que você não e´o cavalinho amarelo...
_Ah, não?
_Não. O cavalinho amarelo está além de mim. Está fora. Está sempre adiante. Eu o sigo. Você é algo que não é isso. Você é a permanência. Acho que você só pode ser uma coisa.
_ O quê?
_ Você é o Sancho Pança.
Comentários:

Sempre a mesma esparrela, as mesmas confusões e eu presa aqui nesta ilha. Não que eu queria sair. Na verdade para mim é muito confortável...

_ Você então não prentede sair desta ilha?

_ Cavalinho, o que o faz pensar que sim?

_ Minha existência.

_ Existe para me tirar daqui?

_ Sim, sou a porta de saída.

_ Se eu não quiser sair, ou não puder, você fica?

_ Se você me disser que é isso que quer, eu ficaria sim.

_ Tem certeza?

_ Sim.

_ Cavalinho, eu jamais vou sair daqui. Não se trata de querer. Trata-se de ser.

_ Ser uma ilha?

_ Estar numa ilha... Ser apenas uma menina numa ilha. Jocasta numa ilha.

_ Jokasta numa ilha?

_ Sim, Yocasta em uma ilha?

_ Por que em espanhol?

_ Isso ainda não sei.



Comentários:

Meus queridos poetas
poemas que poetas/leitores dedicaram a mim, a autora deste blog e de alguns versos.
Dedico hoje Confidências de Jokasta a eles, que me fazem ler.


DIÁLOGO COM ELAINE PAUVOLID

Existe o amor sagrado que movimenta os astros.
Ele emerge do vazio, como o sentido da vida.
A arte é o veículo.
A imaginação, o real.
Pela inquietação criativa,
Distraímo-nos de contar os dias.
A vigília das percepções releva a vastidão da sensibilidade.
Viver é aceitar o paradoxo.
É a busca obsessiva do mistério.
É a música interior no cotidiano aviltante.
Ana Cristina Cesar abriu as cortinas do céu?
Imergiu no avesso do espaço.
Podemos beber a explosão,
mergulhar na visão dos afogados?
Torquato dialogou com a lucidez,
quando disse “pra mim basta”.
É preciso rir do apocalipse de Copacabana.


Márcio Catunda
2010
_________________________________________

Carioquice número 1

"não é a roupa
que me faz indecente
eu é que sou indecente" (Elaine Pauvolid, "Praia de nudismo". In: "Leão Lírico")

Para a Elaine Pauvolid


Cariocas são tão carinhosos
que até mesmo o que porta o fuzil
respeita os senhores idosos
fazendo festa às crianças do Brasil.

Cariocas não nascem à toa:
já cantam e dançam no berço, antes de andar.
Adoram Ipanema, Lapa, Estácio, Lagoa,
Madureira, Barra, Bangu - qualquer lugar.

Cariocas têm o corpo mais que bonito
nu ou com roupa, e a cabeça é sempre melhor.
Cariocas são nota 10 em todos os quesitos.

Cariocas respeitam-se porque amam o amor.
Cariocas fazem parte do povo brasileiro,
mas têm imenso orgulho do seu 20 de Janeiro.


Marcelo Moraes Caetano
2010

___________________________________________

Para Aurea & Elaine

Mariel Reis

I
Ao redor do teu corpo
Uma ilha de ventos e palavras:
A fortaleza do silêncio.



II
Amálgama de silêncio e furor
Tua linha de sombra e poesia,
Atravessa o meu dia.



III
Dos Amantes o mais ausente.
Embora a leve no coração, Senhora,
Nem sempre a saudade é leve.

Mariel Reis
2010
___________________________________________
Um poema que o poeta Rodrigo de Souza Leão (1965-2009) fez para mim.


Elaine não era Elaine era muito mais que Elaine
Era uma avenida inteira
Algo entre o perfume e o prisma
Que me escuta em silêncio enquanto ouve a minha cisma
Elaine era mais que Elaine era uma furadeira
Contruia prédios poéticos com suas estruturas
Sabia voar com as próprias asas na altura
E conduzir o condor a um vôo seguro
Era era mais que Elaine era um muro
Um horizonte quase infindável de urros
E assim quando Elaine é mais Elaine é quando grita
Dizendo ao silêncio que é infinita
ponto final

Rodrigo de Souza Leão
2008

Comentários:

Carioquice número 1
"não é a roupa
que me faz indecente
eu é que sou indecente" (Elaine Pauvolid, "Praia de nudismo". In: "Leão Lírico")

Para a Elaine Pauvolid


Cariocas são tão carinhosos
que até mesmo o que porta o fuzil
respeita os senhores idosos
fazendo festa às crianças do Brasil.

Cariocas não nascem à toa:
já cantam e dançam no berço, antes de andar.
Adoram Ipanema, Lapa, Estácio, Lagoa,
Madureira, Barra, Bangu - qualquer lugar.

Cariocas têm o corpo mais que bonito
nu ou com roupa, e a cabeça é sempre melhor.
Cariocas são nota 10 em todos os quesitos.

Cariocas respeitam-se porque amam o amor.
Cariocas fazem parte do povo brasileiro,
mas têm imenso orgulho do seu 20 de Janeiro.


Marcelo Moraes Caetano

Comentários:

Para Aurea & Elaine

Mariel Reis

I
Ao redor do teu corpo
Uma ilha de ventos e palavras:
A fortaleza do silêncio.



II
Amálgama de silêncio e furor
Tua linha de sombra e poesia,
Atravessa o meu dia.



III
Dos Amantes o mais ausente.
Embora a leve no coração, Senhora,
Nem sempre a saudade é leve.

Comentários:

O contorno como solução da mão

Comentários:

onde me situo me concluo

Comentários:

Não tenho o que me dar
de caro ou fato consumado
Basta-me o viver e o bastar-me basta
Sem tropeço seguir esqueço
Porque me rendo ao que não mereço
Se assim ,nesta não vida me vejo imersa
Não vivo e não morro dela
Mas se de outra não vivo em mim
Não é da morte que escapo
Se a trago no regaço.

Elaine Pauvolid
Comentários:

ETERNA MÁGOA
Augusto dos Anjos

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

Eterna Mágoa, de Augusto dos Anjos
Texto proveniente de:
Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa

A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo
Permitido o uso apenas para fins educacionais.
Texto-base digitalizado por:
Jornal da Poesia < http://www.secrel.com.br/jpoesia/poesia.html>
Comentários:

o contorno é a solução da mão

elaine pauvolid
Comentários:

das incertezas mais constantes

se o imperfeito fosse so um modo
se o perfeito fosse só um defeito
se o feito fosse um feito
se a vida fosse
se a gente estivesse
se...
teríamos alguma chance?
Comentários:

tudo que ocorre quando morre; tudo que vaza e guarda; tudo que torna a vida menos nobre; tudo isso retorna quando vc dorme


Comentários:

quando minha morte chegar não sei o que vou dizer a ela
talvez diga apenas que esperava ansiosa ou que não deveria se a hora
que bem agora havia encontrado um modo bom de viver
ela balançaria a cabeça, certa de que todos dizem isso
me puxaria pelo braço, com suas mãos descarnadas
aquilo me causaria horror
u talvez uma espécie de receio infantil
será que é ela mesma ou alguém se passando por ela
o certo é que , feliz ou não, me deixaria levar
afinal, a vida eu já teria conhecido o bastante
a morte, não

Comentários:

tinha um nome escrito no muro
e sobre a relva um mulher de verde
de verde, não, lilás
a mulher estava de lilás
alguém deixou um berro bem na esquina
ela virou o corpo para ver
de longe eu disse: Celina
e ela não me viu, nem ouviu
estive a berrar de onde a via
celina, celina, celina
esquina, esquina, esquina
levando a mão ao peito
minha querida sentiu angústia
não sabia que o que sentia
era a falta que eu sofria.

Comentários:

As luzes ainda não se apagaram em Pequim e eu ainda estou feliz
o melhor disso é que em a vida sempre foi assim
não importa se luzes estivessem acesas ou não
e mesmo que houvesse luz
sempre houve alguém sem dormir
para ser testemunha

Comentários:

Se eu quisesse contar o que vejo eu tentaria
Se na verdade isso fosse uma confissão
Eu diria que nada tenho a dizer
Que as palavras faltam quando se trata disso

Não existem rastros onde toco com meus pés
Não existem rastros onde toco com meus pés

Comentários:

Eu, que nunca pude ir mais longe
Hoje grito da distância:
Posso ir mais longe?





_______________

Me acompanham o silêncio escuro do carinho
E as cordas que ele arrasta
Os botões da blusa em desalinho
O codinome dos rastros

Comentários:

Gosto de homens meninos
homens que trazem o brilho nos olhos
nada de olhos nublados
cansados
gosto de homens que ainda nao deixaram de sonhar
gosto dos homens meninos
que nunca envelhecem
porque nunca desistem
e são sempre enfants terribles
sendo expulsos de sala injustamente
chorando calados em corredores compridos
sentindo falta de alguma coisa que ficou para trás
que ele perdeu
e que busca encontrar
gosto desses homens
e acho que alguns deles também gostam de mim
a menina que vê de longe
e quando vista, se esconde

Comentários:

Sinto a morte às minhas costas
Agarrada em mim
Marisco à rocha, cáustico
Não há momento que me livre
Dela
De suas garras
Sente isso também?
Sente-se bem ?
Como posso livrar-me disso?
É possível?
Sendo viva que outra forma teria?
De conhecer assim tão perto?

Os mortos não reclamam
Nem chamam por ela
Eu viva, reclamo de viver
Asfixia e morte



Comentários:

Tenho dores no peito.
Bem no fundo do corpo,
um desassossego,uma solidão plúmbea.
E quando a dor aperta,
recolho-me, concha
deitando-me a maré
até acordar sol secando face.
Até nova onda esgarçar a garganta concha.
E retornarem braços, pernas, pele fina.
Pego os sapatos e volto-me casa.
Sigo afazeres diários -
mortalha
O tédio também dissolve dores...
Tomo notícias em xícaras plásticas;
e uma ou outra me interessa muito!
Em seguida largo o copo, o corpo,
lança debaixo de um livro,
que não acaba.
As páginas, asas de sono
trazendo paz,
e a horda de pequenos anjos
não entendendo porque de mim tão triste.
Sorrio levemente dizendo à boca semi-cerrada:
É sina, é sina...


Comentários:

estou decidida a sair da ilha... uma barco vai me levar. o barco que chegou. ele tem por baixo uma baleia. a baleia diuturna. para onde vai me levar? nao tem importancia isso. o cavalinho nao vai. vou sozinha. nao quero a companhia dele. tavez a coruja sim. finalmente vou lhe oferecer meu chao de morada a coruja.
o azul que tem me convidado. minha ilha é verde. o azul me convida ao voo, ao voo maritimo...
preciso de roupas. aqui ando nua. preciso de roupas para entrar no mar. porque através dele devo encontrar meu semelhante.

Comentários:

voltei. por mais que eu queira sumir eu sempre volto.
nao sei realmente que espécie de consciência eu sou. na verdade, que história hipócrita é esta de consciência? quantas temos em mil anos ou um minuto? sim, nós ultrapassamos... e depois nao, depois é tudo tao cartesiano e regular...

Comentários:

Não me resta mais nada
nem a dor
nem o remorso,
nada.
Também nao presto atenção em que se passa.
Tenho um corpo,
uma voz,
uma ameaça.
Fora isso, calma e paz,
vento correndo na calçada,
cachorro olhando o nada,
a poeira, na minha calça
mais nada.


Nao me importa que sinto mais que o mundo,
nem que o mundo se situe sob os meus pés,
não me importa que um dia eu morra,
que não sinta mais o mundo nem os pés,
não me importam os homens,
as mulheres,
não me importam os parentes
nem as conveniências.
Me importam os amigos,
os meus cachorros,
o silêncio e o vento seco.


Não me importam as trovoadas,
os maremotos,
os desastres ecológicos,
os escândalos políticos,
as surtadas dos amigos,
as escolhas de meus amantes.
Não me importam as notícias fraticidas
nem os desgastes entre nós.
Não me importam as malditas horas
nem os prazeres da carne,
mas não me importunam nem um pouco as luzes de natal.

Comentários:

Delfos

O mais importante e imponente homem sobre a ponte de Delfos
negou a mais importante e sensual mulher de Delfos.
Caminhou sobre a margem, pensativo
andou sobre as águas, milagroso
chorou sob os montes, alegre
viveu por muitos anos
ela envelheceu sob a ponte de Delfos
tornou-se muito velha e curvada
finalmente saiu de seu esconderijo e navegou até o mais imponente homem e importante rei
saudou de longe o homem
de que os soldados nao deixavam chegar perto.
Ele não envelheceu
era o mesmo imponente e importante homem sobre a ponte de Delfos
que negou a mulher mais importante e sensual de delfos
ele a viu velha e de longe
reconheceu prontamente a mais importante e sensual mulher de Delfos


Comentários:

A voz do amor tarda a chegar
ou chega de vez
logo nas portas do sol

a voz do amor tarda a chegar
ou chega de vez
logo nas portas do sol

a voz do amor canta outros sonhos
a voz do amor está dentro
nunca fora
a voz do amor
demora

Comentários:

o martírio maior se dá com os momentos mais perdidos
aqueles entrecortados entre os risos
os martírios maiores se dão na solidão dos corredores de paredes vazias
no silêncio carregado de um tempo infinito
os martírios maiores se dão sempre no início
com o tempo estes martírios vão se tornando passado
momentos de um desterro
quando ainda não tínhamos nos dado conta que estávamos vivos
e lutávamos contra os vínculos



não existe dor maior que o tempo
nem o passado
a maneira como vamos nos sentindo envoltos de tempo
sem termos o tempo de dentro dito de outro modo
o tempo vai nos moldando, nos dizendo que nao somos
e nunca seremos
o tempo vai criando em nos lacos e costumes
o tempo um dia acaba?
Comentários:

não há dor maior que caiba em nós
nós de engrenagens
nós sem datas
e toda dor do mundo
em vós cansadas
dos trovões e das estradas.




tenho o riso cansado da alegria

Comentários:




Deus multidão deus




Comentários:

Não tenho a sorte dos amores tranquilos
nem as verdades
carrego inconstância na forma
e uma vontade insaciável
nao sei se acaba este fôlego
nem se morro em fogo morno
mas por enquanto preciso dizer
senão eu morro


Deus é uma vontade de gritar!


a identidade...
a identidade...
a identidade...
onde ela está eu sou
e quando ela some
para onde eu vou?
talvez me agarre ao pescoço de um amante
ou de um amigo
ou do meu analista
gritando: socorro
mas enquanto ela está
que delicia ser gente...



dizem que a pos modernidade
que a contemporaneidade
que a vanguarda
que sabem vocês disso?
pelo amor de deus
eu nao quero fazer comicio
nem escrever lápides
eu quero é sobreviver


dai-me pão porque tenho fome
dai-me água porque tenho cedo
vinde a mim as criancinhas
os pobres de espírito
os miserárveis
vinde a mim que vou a vós
e os santos todos nos protejam


Gosto de homens meninos
homens que trazem o brilho nos olhos
nada de olhos nublados
cansados
gosto de homens que ainda nao deixaram de sonhar
gosto dos homens meninos
que nunca envelhecem
porque nunca desistem
e são sempre enfants terribles
sendo expulsos de sala injustamente
chorando calados em corredores compridos
sentindo falta de alguma coisa que ficou para trás
que ele perdeu
e que busca encontrar
gosto desses homens
e acho que alguns deles também gostam de mim
a menina que vê de longe
e quando vista, se esconde

o mundo não cega,
cata.


É possível viver na doença e no caos
Se escutamos o silêncio atrás
Do som verde da alma


Onde está Deus quando dói a alma?
vós que crês dizei-me!
...

sim, eu sei...

e por que isso ainda não me é o bastante?

...

sim, eu sei...

...

sim, acho que creio.



Porque quando a solidão vem forte
um deserto se abre
e é preciso atravessá-lo
logo que nasci era muito só
na verdade nao tão só
tinha a imagem de minha mãe
e de meu pai que chegava de viagem
e era uma alegria quando ele chegava
minha mãe era a calma, a paz e o silêncio
meu pai a gargalhada, a bola
e a alegria de minha mãe.
Meu pai era o grande Deus na terra
pela boca de minha mãe:
"tem papai do céu, que é o pai no céu.
Temos dois pais:
um na terra e um no céu.
O seu pai na Terra é o papai,
o seu pai no céu é o papai do céu"
Meu pai então era o Deus na terra
talvez
e dói ficar sem Deus
um dia ele foi embora e nunca mais voltou
o Deus do céu está ainda
mas meu pai na terra pode nao ser um deus
mas é meu pai
um pai que tem orgulho de ser meu pai
meu pai apenas
um homem que me protegeu dos outros homens
um homem que me disse para ser grande
um homem que se não é um deus, é um homem.
Comentários:

Só ladro quando eu morro

Não me resta mais nada
nem a dor
nem o remorso,
nada.
Também nao presto atenção em que se passa.
Tenho um corpo,
uma voz,
uma ameaça.
Fora isso, calma e paz,
vento correndo na calçada,
cachorro olhando o nada,
a poeira, na minha calça
mais nada.


Nao me importa que sinto mais que o mundo,
nem que o mundo se situe sob os meus pés,
não me importa que um dia eu morra,
que não sinta mais o mundo nem os pés,
não me importam os homens,
as mulheres,
não me importam os parentes
nem as conveniências.
Me importam os amigos,
os meus cachorros,
o silêncio e o vento seco.


Não me importam as trovoadas,
os maremotos,
os desastres ecológicos,
os escândalos políticos,
as surtadas dos amigos,
as escolhas de meus amantes.
Não me importam as notícias fraticidas
nem os desgastes entre nós.
Não me importam as malditas horas
nem os prazeres da carne,
mas não me importunam nem um pouco as luzes de natal.






_______________________________________

Não tenho mais o morno no peito
a certeza da existência
não tenho
e preciso ter de novo
mesmo sabendo que está perdido
e sei?
porque era tão natural ser
era tão natural os pés na terra
a chuva, o sol
tudo fazia sentido e acabava bem no final
hoje o peito é gelado
parece mesmo que tem um espinho cravado
e dói nas horas mais impróprias
rasgando minha memória
a memória dos velhos tempos.

_____________________________

Que tempo foi aquele em que eu existia
tinha um nome e sabia a pronúncia correta dele?
Sabia também que nem todo mundo sabia
e falava abrasileirado o Pô do Pauvolid.
Que tempo foi aquele em que sabia dos limites,
que tempo foi aquele em que fui tão velha e sábia?
hoje, caminhando para morte
tudo vai se desfazendo.
meu nome não é mais meu nome
os limites me convidam para um precipício
muita coisa não acaba bem
e eu sei cada vez daquele tempo
na ingênua certeza de reencontrá-lo.

___________________________________

Uma dor de cimento constrange minha história
quem é a menina que brinca no chão da sala
e tem certeza do futuro
sendo a vida um flecha bastando seguir o rumo?
Esta menina está mesmo morta?
Sim, a vê no chão da sala?
Vê seus brinquedos?
Eu a vejo na memória muito claramente
e hoje sou o final da flecha.
O que me separa dela foi apenas o processo,
toda a vida que passou e que passa
só tem um motivo
eu no fim olhar para ela
e nós duas nos reconhecermos.
Isso já aconteceu e volta o tempo todo
porque ainda estou viva
e ela, apesar de morta, se repete eternamente
para que a ponta da flecha só não se alcance com a morte da memória.

Comentários:

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